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Mélanges

Os cartazes artísticos e militantes de Miguel Perelli como ativadores de memórias políticas durante o Governo Macri (2015-2019)

Lícia Gomes 

Résumés

Este artigo apresenta e analisa um conjunto de cartazes produzidos e levados a marchas políticas pelo artista e militante argentino Miguel Perelli. Historicamente, os cartazes são elementos de ativação e construção de memória política com forte vínculo na cultura latino-americana. Considerando isso, se observa o conteúdo visual e simbólico dos cartazes em relação a acontecimentos ocorridos durante o governo Mauricio Macri (2015-2019).

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Argentina
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Texte intégral

Introdução

1O cartaz é um elemento visual frequente no espaço público e cumpre, comumente, com a finalidade de transmitir mensagens. Símbolos, figuras, palavras e cores são usadas em diferentes técnicas como a gráfica, a fotografia, o desenho, a pintura, a colagem, ou mesmo com a combinação delas. Um cartaz pode se converter em um elemento tão representativo cuja mensagem atravessa o tempo. Neste caso, ele ativa memórias coletivas e, por tanto, é um poderoso agente de memória, com capacidade de transmissão, construção e manutenção.

2No campo visual, essa agência vai além dos cartazes, sendo atribuída também a outras modalidades, como charges e fotografias, entre outras. Quando realizadas para ou no espaço público, como pinturas murais ou cartazes políticos, a agência de memória pode ser ainda mais potente. Estes elementos estão muito presentes em movimentos de construção da memória social e política latino-americana.

3Desde 2004, o artista e militante argentino Miguel Perelli desenvolve cartazes políticos artísticos para marchas que participa, tanto na cidade de Buenos Aires quanto em La Plata. Em sua produção se evidencia uma identidade visual e um posicionamento político coerente nestes mais de vinte anos. Quanto à identidade visual, a vasta e crescente quantidade de cartazes é majoritariamente elaborados com misturas de técnicas entre colagem, pintura e desenho, combinando frases, figuras em fundos com pouco ou nenhum detalhe, geralmente com cores sólidas e em formato vertical. Quanto a análise do posicionamento, será aprofundada no decorrer deste texto.

4Apesar do início da produção dos cartazes para as marchas políticas ter sido em 2004, Miguel já contava com mais de quatro décadas de produção artística. Entre a década de 60 e os anos 2000, se dedicou ao desenho, realizando, entre outras coisas, charges políticas nos anos 70, fase em que assinava seus trabalhos como "Barricada”. Os vínculos dos seus trabalhos artísticos e seu pensamento político podem ser evidenciados em diversos momentos de sua trajetória, o que não é diferente com relação ao início da elaboração dos cartazes. As mudanças políticas do início dos anos 2000 foram o motor para marchar com cartazes em apoio às políticas daquele momento. Com a chegada do governo Mauricio Macri, em 2015, os cartazes ganharam uma notável mudança. Mantendo a identidade visual, passa a produzir críticas atentas às políticas neoliberais implementadas. É neste momento da produção do artista que se enfoca o presente artigo.

5Na próxima seção, apresento os antecedentes da produção em relação aos processos políticos correspondentes. Na seguinte, traço uma breve biografia do artista, a partir de materiais coletados por meio de documentos e de entrevistas presenciais semi estruturadas. Desta maneira, é possível entender as motivações do artista. Na terceira seção, identifico as críticas na seleção de cartazes realizados durante o governo de Mauricio Macri, considerando o poder de agência de memória dos mesmos. Na quarta seção, mostro um recorte da visão dentro do mesmo período sobre temas não diretamente relacionados ao governo no âmbito nacional e regional. Na última parte, considerações finais que articulam os cartazes a construção de memória política.

Antecedentes

6As manifestações coletivas em espaços públicos são, entre outras coisas, uma forma de demonstrar uma insatisfação compartilhada. Uma delas é a marcha, uma mobilização tanto de indivíduos que se participam espontaneamente quanto de coletivos organizados e partidos políticos que reivindicam demandas comuns. As marchas marcam diversos processos sociais e políticos, nos quais a visualidade aparece de diferentes maneiras. Bandeiras, faixas e cartazes são importantes tanto durante o protesto, quanto posteriormente, como registro.

  • 1 Ver Dolinko, 2023. “el temple era un recurso barato y los jóvenes artistas-militantes como Berni co (...)

7Em Buenos Aires, na Argentina, a marcha de protesto é elemento cultural quase intrínseco à cidade. A visualidade produzida sobre e durante manifestações de rua colabora com a construção de memórias políticas da capital argentina. Uma das pinturas mais destacadas do país, do artista Antonio Berni (1905-1981), plasmou o contexto de crise econômica e social da década de 1930. O contexto pode ser percebido tanto na iconografia quanto na escolha de materiais1, já que a tela, que mede 180 x 249,5 cm, foi produzida com sacas de serapilheira encontrada nos portos e os pigmentos e aglutinantes eram os que estariam mais acessíveis.

Figura 1: Quadro "Manifestação”, Antonio Berni, 1934 Fonte: site malba.org.ar

8O aglomerado de pessoas e as casas ao fundo poderiam sugerir mais de uma leitura, entretanto, há um elemento crucial para perceber a obra como uma manifestação: o cartaz. Ele aparece na obra como um dispositivo gráfico estratégico que se destaca como o plano branco e retangular no meio da massa de rostos, além do impactante texto "pão e trabalho” (Dolinko, 2023, p. 31), não havendo dúvida do caráter de marcha política da cena. Esta obra evidencia a relevância desta forma de expressão visual na construção de memórias políticas no princípio do século XX.

9O cartaz sinaliza e formula reivindicações populares no espaço público, sua visualidade dá forma a memórias e a materialidade as transmite e registra, tornando-os valiosos para a memória política. Além da obra de Berni, outra referência relevante é Ricardo Carpani, cuja atividade artística militante se deu entre os anos 1960 e 1990. No caso de Carpani, ele trabalhou diretamente na produção voltada para o contato diário com as pessoas, considerando a potência tanto do mural como do cartaz político nesse vínculo. O artista levou adiante uma arte revolucionária desde o muralismo até o campo do cartaz político (Soneira, 2017, p.34).

10As obras de Berni e Carpani fazem parte do contexto intelectual e artístico do século XX em que a arte era forma legítima e eficaz de fazer política e construir identidade no contexto latino-americanos, como com as experiências do muralismo. Atualmente, a visualidade pensada para o espaço público continua impactando as ruas como é o caso da produção selecionada para o presente texto. Embora haja um acúmulo de estímulos visuais, com imagens de diferentes estilos e intencionalidades, a arte/imagem continua existindo como forma de fazer política, como por exemplo, o muralismo militante (Longoni, 2014). Por outro lado, é necessário considerar as mudanças sociais geradas pelo avanço das tecnologias da informação e da comunicação. Sobre isso, Ignacio Soneira (2015) afirma que as redes sociais já são um novo espaço público, assim, também participam da transmissão. Os cartazes e murais entram nesse espaço, como vídeos e fotografias, ao mesmo tempo que novas formas de criações visuais, o que inclui aquelas processadas por Inteligência Artificial, podem ocupar os espaços urbanos.

11Por isso, as ruas continuam a fazer sentido localmente, os cartazes continuam não só a ser elementos visuais de reivindicação, mas também de memória, trazendo imagens, frases e narrativas que evocam o passado, ativando diversos temas no presente. O que há é uma soma de lugares onde habitam, ressoam e disputam essas memórias.

12Um cartaz de protesto é resultado de um material visual construído a partir de uma visão crítica individual sobre algo coletivo. Este ponto de vista particular é criado a partir de uma rede de pertencimentos e de uma construção socialmente determinada pelo entorno de quem os realiza. Ele vai além de um suporte de uma mensagem, se torna uma ferramenta de memória.

13É habitual relacionar as memórias políticas ou as políticas de memória de países como Argentina, Brasil, Chile e Uruguai, a processos de memorização das ditaduras cívico-militares do século XX. Contudo, as memórias políticas estão sempre em disputa e vão se acumulando, se sobrepondo e atualizando em meio a outros processos, evocando o passado no presente de diversas formas.

  • 2 A nomenclatura adotada pelo Michael Reid é tomada a partir de uma visão internacional que diz respe (...)

14Em 2001 a Argentina passa por uma traumática crise social gerada por diversos fatores econômicos e políticos (Cuello, 2021). Pouco mais de uma década, o país passa a fazer parte de um grupo de países que têm em comum mudanças de presidentes consideradas como um giro à esquerda2 (Reid,2008), junto a países como Venezuela, Bolívia, Equador, Brasil e Argentina. Alguns anos mais tarde, principalmente depois de 2015, passará por um novo giro, um giro à direita, ou um “giro conservador” (Díaz Parra; Romano, 2019) na América Latina.

15Esses giros são essenciais para entender o contexto dos cartazes nas seguintes seções. Em sequência, apresentarei brevemente a trajetória artística de Miguel Perelli, destacando os anos 1960, os primeiros anos do século XXI, quando ele percebe que há um cenário propício para sair às ruas com cartazes de apoio ao governo de Néstor Kirchner e dá continuidade, na forma de cartazes críticos a partir da chegada do governo de Mauricio Macri, em 2015.

Miguel Perelli: trajetória artística e militante

16No ano de 2004, Miguel Perelli começa a levar às marchas cartazes que combinavam técnicas de pintura, desenho e colagem. Inicialmente, eram imagens de apoio aos governos de Néstor Kirchner (2003-2007) e de Cristina Fernández de Kirchner (2007-2015) e de crítica a determinados discursos, principalmente aqueles propagados por meios de comunicação hegemônicos, como o jornal "Clarín”.

Figura 2: Miguel com cartazes de Cristina Kirchner e Lula na visita do presidente do Brasil à Argentina em janeiro de 2023 Fonte: acervo pessoal do artista

17Nascido dia 23 de março de 1939, em Buenos Aires, Argentina, seu primeiro contato formal com a arte foi em 1960, quando foi aluno do renomado ateliê Pettoruti, espaço de criação por onde passaram importantes artistas argentinos. Lá estudou desenho e pintura com Monica Soler Vicens, artista chilena filha da fotógrafa, escritora e crítica de arte María Rosa Gonzales com o médico J. Soler Vicens. Em 1959, Emilio Pettoruti, padrasto e mentor de Monica, deixa para ela a direção do ateliê em Buenos Aires. Durante essa experiência, Miguel realizou seus primeiros trabalhos, usando majoritariamente carvão, tinta e óleo, resultado de sua participação, por diversos anos, nas aulas de desenho vivo.

18Desde o início da sua formação artística, sua preocupação com temas políticos e seu posicionamento ficavam evidentes em seu trabalho artístico. Nesse sentido, se dedicou ao desenho de charges, segundo Miguel, muitas eram "para ele mesmo” e algumas que eram publicadas em pequenas revistas de esquerda. Durante muitos anos, ele assinava “Barricada”, como nas figuras 3 e 4.

Figura 3: Cartaz da década de 1970 Fonte: Foto da autora de acervo do artista

19Na figura 3, se lê “À invasão daremos a mesma resposta de Sandino", junto a figura de um homem que é, ao mesmo tempo, soldado e trabalhador, semeando a terra enquanto carrega uma criança. A imagem formula, pela sua iconografia, a representação do futuro, na imagem da criança, e a resistência contra o imperialismo estadunidense, na figura do homem. A frase confere clareza à mensagem. A obra demonstra que o artista estava atento aos acontecimentos nos países vizinhos, bem como evidencia seu posicionamento político quanto ao tema.

Figura 4: cartaz feito na década de 1980, Fonte: Foto da autora de acervo do artista

20Na figura 4, se vê a crítica à invasão de Granada pelos Estados Unidos, em 1983, com a imagem de um homem caído, uma águia cravando suas garras em suas costas e a frase “Policiais da América Latina. Não esqueceremos Granada!”. Assim como a figura 3, demonstra a posição anti-imperialista do artista, que denunciava a política externa de intervenção militar dos EUA. Ambos cartazes reafirmam o uso da arte como ferramenta política, ainda que não tenham circulado pelas ruas como os cartazes feitos a partir de 2004.

21Nos anos 1970, Miguel se reunia com amigos em suas casas e trocava cartas com companheiros dos países vizinhos, mas não se considerava um militante. Alguns anos antes de se instaurar a ditadura militar de 1976, policiais entraram em sua casa, a revistaram e o detiveram. Lá, encontraram, entre livros, revistas e desenhos, uma carta de um amigo chileno de vocabulário "marxista”, razão pela qual ele acredita haver sido levado. No dia seguinte, o liberaram, não se sabe exatamente porquê, mas talvez, naquele momento, a carta não fosse razão suficiente para que o mantivessem detido.

22Mesmo com os trabalhos de caráter político bastante claros, ele considera que sua militância começou em 2004 e se intensifica em 2005. A atribuiu a moratória concedida pelo governo de Néstor Kirchner para que as pessoas pudessem se aposentar, beneficiando muitas pessoas, assim como ele mesmo. Em seu caso, apesar de ter trabalhado desde muito jovem, não tinha as contribuições necessárias, em alguns casos por erros dos empregadores, em outros, devido ao trabalho informal. De garçom a ajudante de pintura, a trabalhos em feira, a livreiro, foram muitos anos até poder trabalhar em uma editora. Foi só na década de 1990, que pode se estabilizar como promotor de vendas. Em sua opinião, se não fosse a política do governo Kirchner, talvez nunca tivesse se aposentado.

23É a partir de 2004 que Miguel passou a frequentar assiduamente as marchas e protestos, tanto em Buenos Aires, como em La Plata, onde morou alguns anos de sua vida. Desde então, continua, semanalmente, a levar cartazes críticos, atento à situação do país.

Figura 5: Miguel Perelli no jornal The New York Times , Fonte: Matéria de jornal do dia 28 de fevereiro de 2025 disponivel em www.nytimes.com

Cartazes críticos a políticas de Macri

24Em 2015, os cartazes de Miguel ganharam uma nova orientação temática. A chegada de Maurício Macri à presidência fez com que emergissem críticas às políticas desse governo que durou entre 2015 e 2019. Alguns temas de grande repercussão estão impressos nos cartazes a seguir, respeitando a cronologia desses acontecimentos e estabelecendo uma lógica para pensar a produção crítica do artista enquanto memória política. A complexidade dos cartazes exige uma reflexão cuidadosa, que necessita conhecimento histórico e cultural para entendê-los. Dessa forma, fica estabelecida uma distância dos cartazes com linguagem simples, frases de impacto e focado na escrita que geralmente aparecem nas marchas.

Figura 6: 2015 contaminación 0/Fonte: foto da autora de acervo do artista

25Em 2015, a eleição presidencial foi vencida por Mauricio Macri, cujo lema de campanha era "pobreza zero". Depois de um segundo turno acirrado, derrotou o candidato Daniel Scioli, que tinha o apoio de Cristina Kirchner. Sua vitória terminou com a sequência de três mandatos kirchneristas, entre 2003 e 2015.

26Criado no período entre a eleição e a posse, o cartaz 2015 - contaminación 0, composto majoritariamente por colagem, com a adição de sombras e contornos feitos com pintura. Nele há uma crítica ao peronismo de direita, fazendo alusão ao lema de campanha de Macri. Para isso, além da mensagem escrita "contaminação 0”, realiza uma colagem de figuras de lixo junto a de políticos vinculados ao peronismo de direita, como Eduardo Duhalde, Alberto Fernandez e Sérgio Massa, sendo recolhido por um caminhão de lixo.

27Esta obra é intrincada para quem não está familiarizado com as nuances do peronismo, devido a diversidade ideológica dentro do movimento. Por essa razão, é importante sinalizar que se trata de uma crítica ao peronismo de direita e não ao peronismo de forma geral.

Figura 7: 24 de março de 1976 - 10 de dezembro de 2015/Fonte: foto da autora de acervo do artista

28Com a confirmação do resultado eleitoral, Miguel preparou um cartaz comparando o dia da posse presidencial, 10 de dezembro de 2015, com o início da ditadura militar Argentina de 1976.

  • 3 ver Luis Bruschtein: “La familia Macri entró a la dictadura con 7 empresas y salió con más de 40”

29No cartaz da figura 7, o uso de fotografias com intervenções, desenho e colagem de jornal, se conectam ao uso de diversos materiais para o fundo do trabalho, como papel, tinta e giz de cera. Nele, o presidente recém empossado aparece saindo de um ovo de serpente, serpente essa que possui a cabeça de seu pai, Franco Macri. O vínculo com a ditadura está, em primeiro lugar, nas datas, mas também devido à relação que é feita entre as empresas do grupo Macri e a ditadura da década de 1976. Durante esse período, a família Macri apresentou um crescimento exponencial de suas empresas3.

30Ainda no mesmo cartaz, se nota a imagem de uma mobilização popular em que uma pessoa carrega um cartaz que diz “o povo está acordado”, enfatizando que as pessoas estão atentas. Na verdade, a primeira marcha depois da posse de 10 de dezembro, aconteceu dia 17 do mesmo mês, já demonstrando a insatisfação com as medidas iniciais do novo governo.

Figura 8: Volvieron!/Fonte: foto da autora de acervo do artista

31No mês de junho de 2016, figuras de personalidades históricas das notas de pesos argentinos são trocadas por imagens de animais autóctones da Argentina. A primeira nota a entrar em circulação foi a de 500 pesos4 com a imagem de uma onça-pintada. A insatisfação em relação à mudança aparece na imagem rasgada da nota de 100 pesos e no corte, a frase "viva el cáncer”. Essa frase foi amplamente usada pelo antiperonismo depois da morte de Eva Perón.

  • 5 Em nota oficial entitulada "Heroínas y héroes de nuestra história vuelven a ilustrar los billestes (...)

32Esse ato foi revertido em 2022, durante o governo de Alberto Fernández, que considerou que esse retorno seria a volta do reconhecimento e da memória das figuras que forjaram o país5.

33Este cartaz apresenta uma diferença da maioria, por não ser vertical.

Figura 9: Santiago Maldonado/Fonte: foto da autora de acervo do artista

34A intensificação da repressão aos povos originários foi uma característica do governo Macri. O discurso de ódio e o uso das forças armadas contra eles foi constante durante esse período. Podem-se destacar os casos de Rafael Nahuel e de Santiago Maldonado, em 2017. Na figura 9, está um cartaz sobre o caso Santiago Maldonado, com o desenho de seu rosto com algumas intervenções feitas a caneta, letras vermelhas feitas com moldes dizendo "1.8.2017 regressaram”, também se pode ler "Santiago Maldonado” com letras feitas sem molde, num estilo livre, em preto, e um fundo cinza esfumaçado. Em duas das bordas, em sentido diagonal, há uma desenho como se este papel estivesse rasgado, um pouco deteriorado.

35Santiago tinha 28 anos quando desapareceu, depois de uma violenta repressão policial na comunidade mapuche de Pu Lof de Cushamen, em Chubut, Argentina, no dia 1 de agosto de 2017. No dia anterior, ele havia participado de uma jornada de protestos pela liberação do líder comunitário mapuche Facundo Jones Huala, dia 31 de julho de 2017. Seu corpo foi encontrado no dia 17 de outubro, há mais de 70 dias, no Rio Chubut. A então ministra de segurança, Patricia Bullrich, negou a relação entre a polícia e o desaparecimento e morte de Santiago Maldonado. Para fins de análises posteriores, é interessante ressaltar que Bullrich voltou a desempenhar cargo no governo em 2023, durante o atual governo de Javier Milei. Ainda hoje há a discussão de desaparição forçada ou não e a imagem de Maldonado é frequente em marchas e manifestações no país, sendo uma importante imagem da memória política recente do país.

36Outro marco para pensar a memória política do governo Macri é o acordo Stand-By6 , assinado em junho de 2018 com o Fundo Monetário Internacional (FMI) com o fim de pagar juros da dívida externa como credores privados. As figuras 10 e 11 marcam algumas críticas sobre esse acordo.

Figura 10: Cães em busca do amo/Fonte: foto da autora de acervo do artista

37Em “Cães em busca do amo” (figura 10), que assim como na figura 9, tem duas tipografias. A primeira parte se lê com uma tipografia à mão livre "saíram ao FMI não como representantes do povo… saíram como cachorros” (salieron al FMI no como representantes del pueblo…salieron como perros en busca de amo). A parte final “em busca do amo” (en busca de amo) foi feita com o mesmo molde de letras. No caso da figura 10, o trabalho é majoritariamente de desenho, bastante gráfico, onde a frase é o foco. A coleira de cachorro, desenhada com marcador e caneta, na parte superior, reforça a mensagem, mas não tem a mesma centralidade de outras figuras, como vistas até então.

38Esta obra é a que mais se assemelha à ideia de um cartaz de protesto mais comum, onde a palavra ocupa quase todo o espaço de reivindicação. Ainda que se mantenha a identidade visual encontrada nos demais trabalhos.

Figura 11: Debaixo do braço trouxe tudo, menos pão!/Fonte: foto da autora de acervo do artista

39Na figura 11, há, novamente, a centralidade da figura com a frase "Debaixo do braço trouxe de tudo, menos pão” (bajo el brazo trajo de todo, menos pan), faz referência a expressão usada em muitos países de língua hispânica. Vir com o “pão debaixo do braço”, expressa a prosperidade com a chegada de um bebê. Na imagem, Macri é trazido pela águia dos Estados Unidos, e não pela cegonha, imagem usada popularmente para indicar o nascimento.

40A águia também está usando um boné, fazendo alusão a outro dito argentino. Ponerse la gorra (pôr o boné) seria estar em uma posição de tomar uma atitude autoritária.

Figura 12: Apequenar o Estado era aumentar o quê?/Fonte: foto da autora de acervo do artista

41No ano de 2019, a Argentina passou por um surto de sarampo de grande magnitude, depois de quase duas décadas da eliminação do vírus, em 2000. Na figura 12, o artista usa a imagem de Mafalda, personagem icônico da cultura argentina criado pelo cartunista Quino. Nas histórias em quadrinhos ela é uma criança, muito curiosa e esperta, já no cartaz, ela aparece como idosa. Em um balão de fala, se pode ler: “apequenar o Estado era aumentar o que…?”, fazendo referência a uma das principais bandeiras do governo, que entendia que reduzir as funções do Estado o tornavam mais eficientes. Além disso, a personagem usa um uniforme de enfermeira, representando a saúde, em um espaço sem luz elétrica, que se nota tanto pelo fundo escuro como pela vela que segura. Os detalhes do cartaz reafirmam a crítica às reduções dos gastos públicos e a drástica subida das tarifas elétricas no país. A frase, “Depois de 18 anos, o sarampo reapareceu. 2019”, aparece como um título, compondo a mensagem e a crítica em relação aos recortes gerados pelas políticas macristas.

Figura 13 : Despedidas/Fonte: foto da autora de acervo do artista

  • 7 Ver discurso completo de Perón em: https://gestar.org.ar/articulos/se-cumplen-40-anos-del-ultimo-di (...)
  • 8 Ver discurso completo de Cristina Kirchner em: https://www.cfkargentina.com/discurso-de-cristina-ki (...)

42Na figura 13, “despedidas”, é feita uma comparação de três finais de governo: Perón, em 1974, Cristina Kirchner, em 2015, e Mauricio Macri, em 2019. As duas primeiras frases correspondem a trechos dos discursos de despedidas dos presidentes Juan Domingo Perón e Cristina Kirchner: (1) "1976 Levo nos meus ouvidos a mais maravilhosa música que é a voz do povo”7 e (2) “2015 Espero que dentro de quatro anos quem tem a responsabilidade de conduzir os destinos da pátria, possa frente a uma praça como esta, dizer-lhes a todos os argentinos que também pode olhá-lo nos olhos”.8

43Essas frases, apesar de feitas a partir da lembrança do artista, são bastante fiéis aos discursos originais. Reforçando que essas palavras fazem parte da construção de memórias sobre esses governos.

  • 9 Ver discurso completo de Mauricio Macri em: https://youtu.be/4ttoqeawy9U?si=awVGO0Do2I5NK3Mb

44Já na parte que corresponde a despedida de Macri em 2019, encontramos uma série de críticas e não fragmentos de seu discurso9. O cartaz diz: “2019 Salvem-se quem puder” e um conjunto de elementos iconográficos que representam críticas importantes ao governo. Para ter uma visão mais completa da crítica, é necessário conhecimento da história política recente. De toda forma, o cartaz transmite a mensagem crítica do artista, com outras figuras que a compõem.

45A composição da imagem, que complementa a crítica, é feita por desenhos e colagem. Primeiro, o avião desenhado no canto direito com imagens de dólares voando tem várias referências às memórias políticas do país, para além do governo Macri. O governo Macri o grande gasto com aeronaves para viagens presidenciais, algumas consideradas "férias”, foi fortemente repercutido no final de seu governo. Os dólares ainda representam a grande dívida internacional que o governo deixou para o país. Abaixo do avião, se nota um grupo de pessoas nuas de costas, olhando a partida do avião, representando aos argentinos, que haviam sido deixados mal economicamente. Esta imagem se relaciona com a expressão dejar en pelotas, cuja tradução literal seria "deixar pelado”, significando deixar sem dinheiro.

46Para além do governo Macri, a ideia de um presidente escapando "voando” e deixando o país em uma situação econômica complicada, se relaciona com o final do governo de Fernando de la Rúa, em 2001, que teve que deixar a casa do governo em helicóptero, enquanto as ruas convulsionavam. Este cartaz constrói uma crítica a partir da aglutinação de memórias.

47O conjunto de trabalhos apresentados até aqui, conformam um panorama crítico ao governo Macri a partir de um sólido e coerente trabalho visual. Apesar da análise sintética, ela auxilia na identificação dos elementos concernentes à construção dessas memórias políticas no presente.

Outros temas (2015-2019)

48Entre os anos de 2015 e 2019, alguns cartazes iam para além do território nacional e da crítica direta ao governo Macri. Diversos trabalhos criticavam os meios de comunicação hegemônicos. Por outro lado, assim como nas décadas anteriores, outras obras demonstram a atenção à política internacional, reforçando seu posicionamento político ao realizar cartazes de apoio a outros governos e a algumas personalidades políticas.

49São apresentados dois cartazes na figura 14, críticos ao jornal “Clarín”, um meio de comunicação hegemônico no país. A direita, está o símbolo do jornal em vermelho, sustentando uma máscara com uma espécie de serpente por trás dela, que pinga pela boca algo que poderia ser um veneno. Na escrita, toda em tipografia livre, se lê: “não importa a máscara.. Clarín, eu te conheço! Já na segunda, se pode ler: “Não é importante o abismo… o importante é saber quem nos empurrou até a borda?!". Neste segundo cartaz, a palavra “quem” é feita com hachuras em diagonal, tipografia que não costuma aparecer em outros trabalhos, talvez denotando uma variedade de tom na frase. Outro sinal interessante é a interrogação e a exclamação terminando a frase. Como personagem, usa uma colagem com a figura do escritor colombiano Gabriel García Márquez, que é uma referência para a esquerda latino-americana. Ele lê o jornal tapando o nariz com um pregador, talvez num esforço sugerido pelo artista de conhecer para poder criticar.

50Já nas figuras 15 e 16, demonstra a manutenção do seu interesse pela política internacional, e que durante os anos 2015 e 2019 não fará apenas críticas ao governo argentino. Além dos cartazes abaixo, em seu acervo há também exemplos de apoio a países da região, como Cuba e Venezuela, assim como a países como a China.

Figura 15: Apoio a Dilma Rousseff/Fonte: acervo do artista

51Em 31 de agosto de 2016, a então presidente do Brasil, Dilma Rousseff, sofreu um processo de perseguição política e midiática que resultou em seu impeachment. No cartaz da figura 15, vemos a imagem de Dilma tendo sua faixa presidencial sendo arrancada por uma águia, na parte inferior esquerda uma fotografia de Luís Inácio Lula da Silva junto a uma multidão e o fundo com elementos correspondente a cores e formas da bandeira do Brasil, com a data em que sofre o impeachment. Não há frases nesse cartaz, apenas a data em que ocorreu o golpe.

Figura 16: Apoio ao “estallido” chileno/Fonte: acervo do artista

52Em outubro de 2019 Chile passou por um forte movimento de protestos sociais. Estallido social. Esse processo começa com a manifestação de estudantes contra a subida do preço das passagens no transporte público. Em 2019, o presidente chileno era Sebastián Piñera, representante da direita no país. O palácio de governo, a Casa de la Moneda, foi o ponto de encontro desses protestos, que logo se intensificaram.

Considerações Finais

Figura 17: Foto de verso de um cartaz segurado por Miguel, Fonte: acervo do artista

53Ao longo da produção artística de Miguel, seu posicionamento político se evidencia nas escolhas temáticas. Em seu acervo é possível encontrar trabalhos com diversos materiais e técnicas. Para a realização dos cartazes, também se nota o reaproveitamento de cartazes anteriores ou cartazes “dupla-face”. Nesse último caso, são os dois lados completamente visíveis e preservados, alguns tinham diferença de 10 anos entre um lado e outro.

54Os cartazes, que continuam em intensa produção, continuam a ser levados às marchas e mobilizações com as críticas sempre atuais. Assim como é frequente a mobilização nas ruas de Buenos Aires. Apesar das redes sociais e de um movimento pós pandêmico, a rua ainda representa no cenário portenho um espaço ativo de construções de memórias políticas.

55A rotina semanal de sair às ruas expondo os cartazes, é uma ferramenta de combate aos discursos da “nova direita”, que assim como no Brasil, é formado por um grupo diverso que adota frequentemente discursos homogêneos em relação a algumas agendas (Cepêda, 2018; Chaloub;Perlatto, 2015). Os cartazes fazem parte de uma ferramenta de memória em busca de um combate ao crescimento de uma extrema direita no mundo. Suas imagens podem diminuir o peso da ausência desejada e trabalhada por determinadas políticas.

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Bibliographie

Figura 18: Assinatura de Miguel em um de seus cartazes/Fonte: acervo do artista

Cepêda, Vera Alves. A Nova Direita no Brasil: contexto e matrizes conceituais. Em: Mediações-Revista de Ciências Sociais, 2018; 40-74.

Chaloub, Jorge; Perlatto, Fernando. Intelectuais da “nova direita” brasileira: ideias, retórica e prática política. [Online] Insight Inteligência, v. 1, 2016; 25-42.

Cuello, Camila; ¡Qué se vayan todos!: El sentido político de las manifestaciones del 19 y 20 de Diciembre de 2001; Universidad Nacional de General Sarmiento, 2021.

Díaz Parra, Rubén Ibán; Romano, Silvina María, Del progresismo al giro conservador: Antipolítica blanda, antipolítica dura y desertificación de la política, España: Universidad de Cádiz; Editorial UCA, 2009; 25-45.

Dolinko, Silvia Esther, Exploraciones y tradiciones modernas: Manifestación multifocal, Buenos Aires: Museo de Arte Latinoamericano de Buenos Aires, 26-43, 2023.

Longoni, Ana. Vanguardia y Revolución: Arte e izquierdas en la Argentina e los sesenta. Ciudad Autónoma de Buenos Aires: Ariel, 2014

Reid, Michael, O Continente Esquecido: A Batalha pela Alma Latino-americana, Rio de Janeiro: Editora Campus-Elsevier, 2008.

Soneira, Ignacio. Adaptación y ampliación de comunicación en el Congreso Nacional de Muralismo, en el Centro Cultural Kirchner, 2015.

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Links

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Heroínas y héroes de nuestra historia vuelven a ilustrar los billetes de pesos argentinos. Disponível em: https://www.argentina.gob.ar/noticias/heroinas-y-heroes-de-nuestra-historia-vuelven-ilustrar-los-billetes-de-pesos-argentinos

Santiago Maldonado - página oficial https://www.santiagomaldonado.com/

¿Qué tanto sabía Javier Milei de la criptoestafa que promovió? Por Jack Nicas y Yaffe-Bellany (28/02/2025). Disponível em: https://www.nytimes.com/es/2025/02/28/espanol/america-latina/criptoestafa-argentina-milei.html

El acuerdo Stand-by - Fondo Monetario Internacional. Disponível em: https://www.imf.org/es/About/Factsheets/Sheets/2023/Stand-By-Arrangement-SBA#:~:text=El%20acuerdo%20Stand%2DBy%20(ASB)%20proporciona%20asistencia%20financiera%20a,avanzados%20y%20de%20mercados%20emergentes.

Manifestação de Antônio Berni. Disponível em: https://coleccion.malba.org.ar/manifestacion/

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Notes

1 Ver Dolinko, 2023. “el temple era un recurso barato y los jóvenes artistas-militantes como Berni concretaban entonces sus imágenes a través de las posibilidades que encontraban más accesibles. A la vez, tal como parecería desprenderse de los resultados de los recientes estudios realizados en el marco de este proyecto, Berni probablemente preparó el temple con cola animal como aglutinante, en vez de huevo.” (p. 28)

2 A nomenclatura adotada pelo Michael Reid é tomada a partir de uma visão internacional que diz respeito a características amplas e a oposição com governos de viés liberais. Em cada um dos países é discutível que alguns desses governos sejam considerados de esquerda, o caso argentino é um deles, sendo considerado mais "progressista" ainda que não de esquerda.

3 ver Luis Bruschtein: “La familia Macri entró a la dictadura con 7 empresas y salió con más de 40”

https://www.pagina12.com.ar/456463-luis-bruschtein-la-familia-macri-entro-a-la-dictadura-con-7-

4 Mais informação em https://www.bcra.gob.a (Banco Central da República Argentina) e no documentário feito pelo Banco Central sobre a troca.

5 Em nota oficial entitulada "Heroínas y héroes de nuestra história vuelven a ilustrar los billestes de pesos argentinos” en https://www.argentina.gob.ar

6 Para ver mais sobre esse tipo de acordo, consultar https://www.imf.org

7 Ver discurso completo de Perón em: https://gestar.org.ar/articulos/se-cumplen-40-anos-del-ultimo-discurso-de-juan-domingo-peron-en-plaza-de-mayo/

8 Ver discurso completo de Cristina Kirchner em: https://www.cfkargentina.com/discurso-de-cristina-kirchner-en-la-ultima-plaza-de-su-segundo-periodo-presidencial/

9 Ver discurso completo de Mauricio Macri em: https://youtu.be/4ttoqeawy9U?si=awVGO0Do2I5NK3Mb

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Table des illustrations

Légende Figura 1: Quadro "Manifestação”, Antonio Berni, 1934 Fonte: site malba.org.ar
URL http://journals.openedition.org/amerika/docannexe/image/24071/img-1.jpg
Fichier image/jpeg, 87k
Légende Figura 2: Miguel com cartazes de Cristina Kirchner e Lula na visita do presidente do Brasil à Argentina em janeiro de 2023 Fonte: acervo pessoal do artista
URL http://journals.openedition.org/amerika/docannexe/image/24071/img-2.jpg
Fichier image/jpeg, 132k
Légende Figura 3: Cartaz da década de 1970 Fonte: Foto da autora de acervo do artista
URL http://journals.openedition.org/amerika/docannexe/image/24071/img-3.jpg
Fichier image/jpeg, 250k
Légende Figura 4: cartaz feito na década de 1980, Fonte: Foto da autora de acervo do artista
URL http://journals.openedition.org/amerika/docannexe/image/24071/img-4.jpg
Fichier image/jpeg, 240k
Légende Figura 5: Miguel Perelli no jornal The New York Times , Fonte: Matéria de jornal do dia 28 de fevereiro de 2025 disponivel em www.nytimes.com
URL http://journals.openedition.org/amerika/docannexe/image/24071/img-5.png
Fichier image/png, 3,3M
Légende Figura 6: 2015 contaminación 0/Fonte: foto da autora de acervo do artista
URL http://journals.openedition.org/amerika/docannexe/image/24071/img-6.jpg
Fichier image/jpeg, 202k
Légende Figura 7: 24 de março de 1976 - 10 de dezembro de 2015/Fonte: foto da autora de acervo do artista
URL http://journals.openedition.org/amerika/docannexe/image/24071/img-7.jpg
Fichier image/jpeg, 573k
Légende Figura 8: Volvieron!/Fonte: foto da autora de acervo do artista
URL http://journals.openedition.org/amerika/docannexe/image/24071/img-8.jpg
Fichier image/jpeg, 112k
Légende Figura 9: Santiago Maldonado/Fonte: foto da autora de acervo do artista
URL http://journals.openedition.org/amerika/docannexe/image/24071/img-9.jpg
Fichier image/jpeg, 349k
Légende Figura 10: Cães em busca do amo/Fonte: foto da autora de acervo do artista
URL http://journals.openedition.org/amerika/docannexe/image/24071/img-10.jpg
Fichier image/jpeg, 261k
Légende Figura 11: Debaixo do braço trouxe tudo, menos pão!/Fonte: foto da autora de acervo do artista
URL http://journals.openedition.org/amerika/docannexe/image/24071/img-11.jpg
Fichier image/jpeg, 337k
Légende Figura 12: Apequenar o Estado era aumentar o quê?/Fonte: foto da autora de acervo do artista
URL http://journals.openedition.org/amerika/docannexe/image/24071/img-12.jpg
Fichier image/jpeg, 444k
Légende Figura 13 : Despedidas/Fonte: foto da autora de acervo do artista
URL http://journals.openedition.org/amerika/docannexe/image/24071/img-13.jpg
Fichier image/jpeg, 629k
Légende Figura 14: Dois cartazes críticos ao Clarín/Fonte: acervo do artista
URL http://journals.openedition.org/amerika/docannexe/image/24071/img-14.jpg
Fichier image/jpeg, 425k
URL http://journals.openedition.org/amerika/docannexe/image/24071/img-15.jpg
Fichier image/jpeg, 456k
Légende Figura 15: Apoio a Dilma Rousseff/Fonte: acervo do artista
URL http://journals.openedition.org/amerika/docannexe/image/24071/img-16.jpg
Fichier image/jpeg, 470k
Légende Figura 16: Apoio ao “estallido” chileno/Fonte: acervo do artista
URL http://journals.openedition.org/amerika/docannexe/image/24071/img-17.jpg
Fichier image/jpeg, 435k
Légende Figura 17: Foto de verso de um cartaz segurado por Miguel, Fonte: acervo do artista
URL http://journals.openedition.org/amerika/docannexe/image/24071/img-18.jpg
Fichier image/jpeg, 330k
URL http://journals.openedition.org/amerika/docannexe/image/24071/img-19.jpg
Fichier image/jpeg, 341k
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Pour citer cet article

Référence électronique

Lícia Gomes , « Os cartazes artísticos e militantes de Miguel Perelli como ativadores de memórias políticas durante o Governo Macri (2015-2019) »Amerika [En ligne], 32 | 2026, mis en ligne le 04 août 2026, consulté le 15 septembre 2026. URL : http://journals.openedition.org/amerika/24071 ; DOI : https://doi.org/10.4000/16p4z

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Auteur

Lícia Gomes 

Doutoranda no Instituto de Desarrollo Económicos y Social (IDES/UNGS), em Buenos Aires, licia.gom89@yahoo.com.br

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Droits d’auteur

CC-BY-SA-4.0

Le texte seul est utilisable sous licence CC BY-SA 4.0. Les autres éléments (illustrations, fichiers annexes importés) sont susceptibles d’être soumis à des autorisations d’usage spécifiques.

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