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AccueilNuméros33Karim Aïnouz le désir d’ailleursQuatro dos colaboradores de Karim...Waldir Xavier, Montador & Editor

Karim Aïnouz le désir d’ailleurs
Quatro dos colaboradores de Karim Aïnouz falam sobre sua experiência de trabalho com o diretor brasileiro

Waldir Xavier, Montador & Editor

Entrevista com Sylvie Debs
Waldir Xavier et Sylvie Debs
p. 125-126
Traduction(s) :
Waldir Xavier, Monteur [fr]

Texte intégral

Você foi o montador/editor de som de Karim Aïnouz, logo desde o inicio da sua carreira, iniciando com Viajo porque preciso, volto porque te amo. Como vocês se conheceram e como surgiu essa colaboração?

Na verdade, colaboro com Karim desde o seu primeiro longa-metragem, Madame Satã. Nos conhecemos em Paris, em 1997, durante a mixagem de Central do Brasil de Walter Salles. Karim veio conhecer o Walter Salles, que viria a ser o produtor brasileiro do filme, e então fomos apresentados. Mas já nos conhecíamos de nome e tínhamos amigos em comum. E passamos a nos encontrar desde então, seja em Paris, seja no Brasil. Quando Karim conseguiu filmar Satã alguns anos mais tarde, me convidou para fazer a edição de som.

Nos filmes de Karim, sempre tem varias camadas de sons: diálogos, as vezes a voz de um narrador, som ambiente, efeitos, musicas. Como você elabora o design do som? Karim lhe da indicações precisas ou deixa você a vontade para fazer propostas?

O universo sonoro dos filmes de Karim são realmente construídos com muitas camadas e perspectivas. E temos uma grande cumplicidade pelo fato de ambos gostarem muito de sons presentes, da construção do espaço fora de quadro e de explorar o aspecto sensorial. Normalmente começamos a falar do futuro trabalho durante a escrita, a preparação e a filmagem. Mas começamos mesmo durante a montagem. Recebo as versões de montagem e já começamos a definir objetivos, tratamentos possíveis e falar de música. Passamos um primeiro momento juntos, decupando e explorando as possibilidades do filme. Karim me passa todos os documentos disponíveis produzidos para a filmagem, textos, referências e notas de intenção. E paralelamente, busco também elementos da pesquisa da equipe de arte, que sempre enriquece o universo da ambientação do filme. Deste ponto, Karim parte e me deixa conceber o desenho de som, totalmente livre e me pede para surpreendê-lo. Uma vez um primeiro esboço do desenho de som feito, passamos a trabalhar juntos na escuta e na definição dos elementos que seguem para mixagem.

Qual é o filme do Karim que lhe deu mais trabalho? Que tipo de dificuldades você tinha que resolver?

Talvez o filme mais trabalhoso tenha sido o A vida invisível de Eurídice Gusmão. Primeiramente por ser um filme que se passa em épocas diferentes, o que pede uma pesquisa maior e uma necessidade de diferenciação dos tempos narrativos, e o som é um excelente elemento para ajudar na clareza da identificação destas mudanças. E por outro lado, neste filme, Karim consegue usar um largo vocabulário dramatúrgico, usando referência de vários filmes que já tínhamos feito juntos. Vida… tem um pouco de todos os filmes que Karim já tinha realizado anteriormente com o toque suplementar do tratamento melodramático.

A parte mais importante do trabalho se da na filmagem ou na montagem?

A edição de som se dá essencialmente na pós-produção. Na filmagem existe o registro do som direto, das vozes, muito centrada nas falas, e da captação de ambientes e sons adicionais que infelizmente estão cada vez mais escassos hoje em dia. O que faz com que o trabalho de pós seja muito importante e traga a grande maioria dos elementos sonoros, exceto as falas. Nesta etapa de pós-produção é que o desenho de som se dá propriamente dito. Aí acontece a criação, a busca de ideias e invenções, que tomam forma de fato no estúdio de mixagem, com a dimensão de uma sala de cinema.

Você ganhou algum prêmio com os filmes de Karim?

Sim. Ganhamos 3 vezes o prêmio de melhor som no Festival de Havana, um prêmio muito especial pela tradição dos prêmios técnicos neste festival. Por Viajo, Abismo e Praia do Futuro.

Se você tivesse que definir Karim em três palavras, o que diria?

Cinema, desejo, paixão.

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Pour citer cet article

Référence papier

Waldir Xavier et Sylvie Debs, « Waldir Xavier, Montador & Editor », Cinémas d’Amérique latine, 33 | 2025, 125-126.

Référence électronique

Waldir Xavier et Sylvie Debs, « Waldir Xavier, Montador & Editor », Cinémas d’Amérique latine [En ligne], 33 | 2025, mis en ligne le 24 janvier 2026, consulté le 07 octobre 2026. URL : http://journals.openedition.org/cinelatino/13877 ; DOI : https://doi.org/10.4000/15rc5

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Auteurs

Waldir Xavier

Radicado na França, formou-se como editor de imagem e especializou-se no desenho de som, tendo trabalhado com diretores como Youssef Chahine, Bertrand Tavernier, Pedro Costa, João Botelho e Raoul Peck e dirigiu o documentário Barracão, um olhar carnavalesco. Entre seus trabalhos mais conhecidos como editor de som estão Central do Brasil de Walter Salles (Urso de Ouro do Festival de Berlim 1998), De longe te observo de Lorenzo Vigas (Leão de Ouro do Festival de Veneza 2015) e A vida invisível de Eurídice Gusmão, de Karim Aïnouz (Un Certain Regard do Festival de Cannes 2019).

Sylvie Debs

Professora Universidade de Estrasburgo, especialista em cinema brasileiro, ex-adida cultural no Brasil e no México. Autora dos: Patativa do Assaré (2000), Cinema e literatura no Brasil. Os mitos do sertão (2007), Cinema e cordel (2014), Corisco e Dada : Apontamentos sobre o filme (2016).

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Droits d’auteur

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