Waldir Xavier, Montador & Editor
- Traduction(s) :
- Waldir Xavier, Monteur [fr]
Texte intégral
Você foi o montador/editor de som de Karim Aïnouz, logo desde o inicio da sua carreira, iniciando com Viajo porque preciso, volto porque te amo. Como vocês se conheceram e como surgiu essa colaboração?
Na verdade, colaboro com Karim desde o seu primeiro longa-metragem, Madame Satã. Nos conhecemos em Paris, em 1997, durante a mixagem de Central do Brasil de Walter Salles. Karim veio conhecer o Walter Salles, que viria a ser o produtor brasileiro do filme, e então fomos apresentados. Mas já nos conhecíamos de nome e tínhamos amigos em comum. E passamos a nos encontrar desde então, seja em Paris, seja no Brasil. Quando Karim conseguiu filmar Satã alguns anos mais tarde, me convidou para fazer a edição de som.
Nos filmes de Karim, sempre tem varias camadas de sons: diálogos, as vezes a voz de um narrador, som ambiente, efeitos, musicas. Como você elabora o design do som? Karim lhe da indicações precisas ou deixa você a vontade para fazer propostas?
O universo sonoro dos filmes de Karim são realmente construídos com muitas camadas e perspectivas. E temos uma grande cumplicidade pelo fato de ambos gostarem muito de sons presentes, da construção do espaço fora de quadro e de explorar o aspecto sensorial. Normalmente começamos a falar do futuro trabalho durante a escrita, a preparação e a filmagem. Mas começamos mesmo durante a montagem. Recebo as versões de montagem e já começamos a definir objetivos, tratamentos possíveis e falar de música. Passamos um primeiro momento juntos, decupando e explorando as possibilidades do filme. Karim me passa todos os documentos disponíveis produzidos para a filmagem, textos, referências e notas de intenção. E paralelamente, busco também elementos da pesquisa da equipe de arte, que sempre enriquece o universo da ambientação do filme. Deste ponto, Karim parte e me deixa conceber o desenho de som, totalmente livre e me pede para surpreendê-lo. Uma vez um primeiro esboço do desenho de som feito, passamos a trabalhar juntos na escuta e na definição dos elementos que seguem para mixagem.
Qual é o filme do Karim que lhe deu mais trabalho? Que tipo de dificuldades você tinha que resolver?
Talvez o filme mais trabalhoso tenha sido o A vida invisível de Eurídice Gusmão. Primeiramente por ser um filme que se passa em épocas diferentes, o que pede uma pesquisa maior e uma necessidade de diferenciação dos tempos narrativos, e o som é um excelente elemento para ajudar na clareza da identificação destas mudanças. E por outro lado, neste filme, Karim consegue usar um largo vocabulário dramatúrgico, usando referência de vários filmes que já tínhamos feito juntos. Vida… tem um pouco de todos os filmes que Karim já tinha realizado anteriormente com o toque suplementar do tratamento melodramático.
A parte mais importante do trabalho se da na filmagem ou na montagem?
A edição de som se dá essencialmente na pós-produção. Na filmagem existe o registro do som direto, das vozes, muito centrada nas falas, e da captação de ambientes e sons adicionais que infelizmente estão cada vez mais escassos hoje em dia. O que faz com que o trabalho de pós seja muito importante e traga a grande maioria dos elementos sonoros, exceto as falas. Nesta etapa de pós-produção é que o desenho de som se dá propriamente dito. Aí acontece a criação, a busca de ideias e invenções, que tomam forma de fato no estúdio de mixagem, com a dimensão de uma sala de cinema.
Você ganhou algum prêmio com os filmes de Karim?
Sim. Ganhamos 3 vezes o prêmio de melhor som no Festival de Havana, um prêmio muito especial pela tradição dos prêmios técnicos neste festival. Por Viajo, Abismo e Praia do Futuro.
Se você tivesse que definir Karim em três palavras, o que diria?
Cinema, desejo, paixão.
Table des illustrations
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| URL | http://journals.openedition.org/cinelatino/docannexe/image/13877/img-1.png |
| Fichier | image/png, 649k |
Pour citer cet article
Référence papier
Waldir Xavier et Sylvie Debs, « Waldir Xavier, Montador & Editor », Cinémas d’Amérique latine, 33 | 2025, 125-126.
Référence électronique
Waldir Xavier et Sylvie Debs, « Waldir Xavier, Montador & Editor », Cinémas d’Amérique latine [En ligne], 33 | 2025, mis en ligne le 24 janvier 2026, consulté le 07 octobre 2026. URL : http://journals.openedition.org/cinelatino/13877 ; DOI : https://doi.org/10.4000/15rc5
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Le texte seul est utilisable sous licence CC BY-NC-ND 4.0. Les autres éléments (illustrations, fichiers annexes importés) sont susceptibles d’être soumis à des autorisations d’usage spécifiques.
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