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2025

Dois grandes sítios como alavancas de desenvolvimento regional:

desenvolvimento regional em torno do GSF Pointe du Raz, em Cap Sizun (França) e Ponta Negra, em Natal (Brasil).
Deux grands sites comme leviers de développement régional Aménagement du territoire autour du GSF Pointe du Raz en Cap Sizun (France) et Ponta Negra, à Natal (Brésil)
Two major sites as regional development levers: regional development around the GSF Pointe du Raz, in Cap Sizun (France) and Ponta Negra, in Natal (Brazil).
Raimundo Nonato Júnior et Hervé Théry
Traduction de Laura Martins de Queiroz (UFRGS) revisado por Patrícia Reuillard (UFRGS)
Cet article est une traduction de :
Deux grands sites comme leviers de développement régional  [fr]

Résumés

Ce rapport présente les premiers résultats de la recherche « Deux grands sites comme leviers de développement régional : aménagement du territoire autour du GSF Pointe du Raz, en Cap Sizun (France) et Ponta Negra, à Natal (Brésil) » Il conclut la première étape, qui était à mener en 2023.

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Index géographique :

Cap Sizun, Ponta Negra

Índice de palavras-chaves:

Planejamento regional, turismo, Cap Sizun, Ponta Negra.
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Texte intégral

1Este relatório apresenta os resultados iniciais do projeto de pesquisa “Dois grandes sítios como alavancas para o desenvolvimento regional: planejamento regional em torno do GSF Pointe du Raz, em Cap Sizun (França) e Ponta Negra, em Natal (Brasil)” e conclui a primeira etapa, que devia ser realizada em 2023.

2Essa pesquisa foi feita em resposta a uma demanda feita no projeto institucional do grande sítio Pointe du Raz em Cap Sizun, que afirmava que é preciso “sustentar as tomadas de decisão pelo trabalho científico”. Efetuado de forma independente pelos autores e pelas instituições científicas citadas, esse projeto foi realizado em diálogo com a administração do GSF, representado pelo seu presidente Didier Guillon e Véronique Hétet, que participou ativamente na mediação entre os cientistas e as comunidades envolvidas.

Tabela 1 – As instituições envolvidas

Instituições de pesquisa (França):

Centro nacional de pesquisa científica (CNRS)

Universidade Sorbonne Nouvelle

Instituições de governança (França):

GSF Pointe du Raz

Cooperação intermunicipal do Pointe du Raz em Cap Sizun (SMPRCS)

Instituições de pesquisa (Brasil):

Universidade de São Paulo (USP)

Universidade Federal do Rio Grande Do Norte (UFRN)

Instituições de governança (Brasil):

Parque das Dunas – Natal

Prefeitura de Natal

3O objetivo geral do trabalho era analisar o contexto geográfico do ordenamento nesses dois grandes sítios com seu forte potencial paisagístico, na França e no Brasil, propondo mecanismos cartográficos e analíticos para melhor entender a situação dos territórios em uma perspectiva regional.

4Seus objetivos específicos eram:

  • Realizar uma cartografia analítica do contexto geográfico, social e de ordenamento do território, para compreender o panorama local e a comparação regional dos dois objetos de estudo.

  • Identificar as características principais dos dois locais, bem como de suas diferentes situações ambientais, sociais e econômicas, para permitir análises comparativas que sustentam as políticas públicas.

Os territórios abrangidos

5As zonas geográficas estudadas são zonas extremas em cada um dos países. Trata-se de duas “pontas”, na extremidade oeste/Atlântico Norte da França e na extremidade leste/Atlântico Sul do Brasil.

6As duas “pontas” estudadas (Pointe du Raz e Ponta Negra) tem vários pontos em comum. Elas representam zonas de grande patrimônio paisagístico, de beleza natural, de preservação do ambiente e de produção de energia eólica, devido à força dos ventos nessas regiões “angulares” dos continentes.

Imagem 1 – Imagens de satélite do Cap Sizun

Imagem 1 – Imagens de satélite do Cap Sizun

Fonte : Google Earth (2023

7Contudo, deve-se notar que esses locais estão em situações demográficas, sociais e econômicas muito diferentes, de modo que o estudo comparativo não visa encontrar a qualquer custo semelhanças, mas detectar pontos de análise que façam sentido.

8Na França, o ministério responsável pelo meio ambiente atribuiu, em 2024, o selo de Grande Sítio da França a um território que vai de Pointe du Raz a Pointe du Van, passando pela Baie des Trépassés, tornando-se um dos três sítios da região da Bretanha.

Imagem 2 – Mapa do GSF na Bretanha

Imagem 2 – Mapa do GSF na Bretanha

Fonte : Région Bretagne

9O território certificado pelo GSF Pointe du Raz foi estendido ao conjunto de todas as falésias do litoral norte do Cap-Sizun em 2012. Desde 2019, um conjunto de cinco municípios (Primelin, Plogoff, Cléden-Cap-Sizun, Goulien e Beuzec-Cap-Sizun) conta com o selo.

Imagem 3 – Mapa dos municípios do GSF Pointe du Raz, em Cap Sizun

Imagem 3 – Mapa dos municípios do GSF Pointe du Raz, em Cap Sizun

Fonte: Hervé Théry et Raimundo Nonato Junior (2023)

10No caso do Brasil, Ponta Negra é um espaço mosaico incluindo áreas de preservação, comunidades de pescadores tradicionais e empreendimentos turísticos. Seu selo de zona ambiental foi concedido pelo Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), e uma parte dessa área é também uma reserva para atividades aeronáuticas.

Imagem 4 – Imagem de satélite de Ponta Negra

Imagem 4 – Imagem de satélite de Ponta Negra

Source : Google Earth (2023)

11As imagens dessas duas “pontas” mostram que são ambientes litorais de uma grande riqueza paisagística e natural.

Imagem 5 e 6 – Pointe du Raz e Ponta Negra

Imagem 5 e 6 – Pointe du Raz e Ponta Negra

Source : Revue Confins

Metodologia e fundamentos conceituais

12Esta síntese do protocolo da pesquisa inclui o cronograma, o quadro institucional, a organização metodológica geral, bem como as principais questões que serão analisadas.

13O protocolo científico desenvolvido para este trabalho passou por quatro etapas intermediárias (coleta de dados secundários, produção cartográfica, entrevistas e análise espacial), para chegar à síntese dos resultados usando a Análise SWOT (FOFA).

14O protocolo foi implementado em duas fases nesses dois anos:

15Fase I – 2023 Pointe du Raz

  • Primeiro semestre de 2023: Pesquisa de campo/ devolutiva/ conferência na França

  • Segundo semestre de 2023: Síntese de dados na França/ publicação de artigo científico 1

16Fase II – 2024 Ponta Negra

  • Primeiro semestre de 2024: Pesquisa de campo/ devolutiva/ conferência no Brasil

  • Segundo semestre de 2024: Síntese de dados no Brasil/ publicação de artigo científico 2

17Fase III – 2025 Análises comparativas e devolutivas

18A pesquisa geográfica baseia-se em um interesse pelo estudo do espaço com diferentes formas de análise: regional, local e cartográfica. Foi exatamente nessa perspectiva que essa pesquisa foi elaborada, partindo de uma problemática espacial e usando dados secundários (estatísticos) e primários (observação de campo e entrevistas) para discutir dinâmicas regionais, locais e cartográficas do GSF Pointe du Raz para chegar a uma Análise SWOT.

19O acrônimo S.W.O.T., derivado do inglês, traduz-se por: Strenghts (forças), Weaknesses (fraquezas), Opportunities (oportunidades) e Threats (ameaças), como estabeleceu Chiavenato (2000). Essa análise visa avaliar as forças e as fraquezas de um determinado território analisado, bem como as oportunidades e as ameaças ligadas aos desafios sociais. A figura 1 abaixo apresenta o modelo da Análise SWOT.

Figura 1: modelo explicativo da análise SWOT

Figura 1: modelo explicativo da análise SWOT

Forças, fraquezas, oportunidades e ameaças.

Fonte : QSE (https://www.certification-qse.com/​risques-opportunites-bien-identifier/​).

20O objetivo desta ferramenta é identificar em que medida as forças e as fraquezas atuais são pertinentes e capazes de enfrentar as ameaças ou de aproveitar os potenciais detectados no território. Segundo Andrade et al. (2008), a relação entre o ambiente interno e externo presente na análise SWOT permite demonstrar os níveis de qualificação da organização. Os preceitos dessa análise foram adaptados à realidade dos dados estatísticos e espaciais do GSF Pointe du Raz.

21No caso do GSF Pointe du Raz, o estudo SWOT permitiu estabelecer categorias gerais nas questões-chave observadas, para facilitar a planificação, assim como para servir de suporte à tomada de decisão pelas políticas públicas territoriais.

22A aplicação da análise SWOT como ferramenta de prognóstico organizacional constitui um elemento de suporte para melhorar a planificação e trouxe contribuições importantes relativas à análise de cenários internos e externos, permitindo sugestões de ações para a melhoria da performance organizacional. As informações fornecidas pela análise SWOT foram completadas pelos resultados obtidos pela metodologia das entrevistas Delphi.

23A metodologia Delphi é baseada em um conjunto de entrevistas semi-directivas que se dirigem a pesquisadores e a especialistas de um determinado tema, para que esses pares respondam às perguntas feitas, tendo em vista a construção de uma resposta coletiva (MARQUES; FREITAS, 2018). A eficácia desse método é alcançada quando as respostas dadas pelos diferentes pesquisadores começam a se aproximar de um consenso ou a se repetir.

24No caso da pesquisa GSF Pointe du Raz, os entrevistados foram os prefeitos, os residentes, os responsáveis locais pelo turismo, as associações e os agentes locais. As principais questões foram: a visão atual do território; o potencial e os desafios para a gestão municipal em uma perspectiva do GSF; uma visão do futuro e dos potenciais para a gestão territorial.

25Então, a análise das respostas a esses questionários, particularmente as aquelas mais repetidas entre os entrevistados, foi um dos critérios levados em conta para a definição dos problemas a serem analisados. Na base desse princípio, a definição de uma prioridade, ou de um conjunto de prioridades, apoiou-se na identificação de problemas comuns, isto é, problemas que se repetem em diferentes estudos geoestatísticos e que são confirmados nas entrevistas (ZABALETA, 2002). Esse aspecto foi observado quando as respostas dos entrevistados começaram a convergir para pontos em comum. Nesse contexto, os resultados dos dados cartográficos e da análise SWOT, associados aos resultados da metodologia Delphi, permitiram identificar as forças, as fraquezas, as oportunidades e as ameaças relacionadas.

A análise de campo no Cap Sizun

26Durante os meses de março, abril e maio de 2023, os cientistas realizaram pesquisas de campo em Cap Sizun, aplicando as diferentes ferramentas do protocolo de pesquisa, citadas na metodologia. Os pesquisadores percorreram, repetidamente, toda a região estudada, pois a análise das paisagens é parte integrante da pesquisa na geografia.

Mapa 1 – As rotas seguidas pelos pesquisadores no campo

Mapa 1 – As rotas seguidas pelos pesquisadores no campo

27Fonte : dados de campo em base cartográfica GoogleMyMaps

28Para esse trabalho de campo, ficaram instalados no alojamento do município de Goulien1, como é relatado no artigo “Goulien, entre o mar e o interior: paisagens de uma geografia contrastante no Cap Sizun”, publicado na revista franco-brasileira Confins2.

Figura 2 – Artigo na Confins sobre a base da pesquisa

Figura 2 – Artigo na Confins sobre a base da pesquisa

Fonte : revista Confins

29Esse primeiro semestre da pesquisa visava realizar as atividade da tabela abaixo que são nomeadas primeira etapa. As atividades da segunda etapa deveriam ter ocorrido durante o segundo semestre, a partir da análise de material de campo e de estudos complementares.

Tabela 2 – As temáticas e os atores por etapa

Primeira etapa

Segunda etapa

Questões analisadas

- as identidades paisagísticas;

- o quadro administrativo;

- as bases de dados;

- as bases cartográficas;

- a análise histórica da paisagem;

- o papel dos atores locais e regionais;

- o panorama geral do território

- o uso e o ordenamento do território;

- o impacto do/no turismo;

- as circulações e a gestão dos fluxos;

- os desafios e potenciais socioambientais;

- os produtos de análise cartográfica;

- os produtos de análise de modelização;

- a análise regional

30As atividades de campo foram elaboradas a partir do documento “GSF Pointe du Raz em Cap Sizun para a inscrição no selo Grandes Sítios da França (2019)”:

  • “Uma visão ampla das paisagens”

31O interesse desse projeto é analisar as paisagens na sua complexidade cultural e na sua diversidade geográfica e territorial.

  • “Paisagens moldadas pela história geológica”

32Refletir como a diversidade geológica e geomorfológica contribui para formar o mosaico da organização da sociedade no espaço.

  • “Paisagens íntimas dentro do Cap”

33Valorizar a gestão do território não somente para o desenvolvimento costeiro, mas também para a apreciação das rotas rurais e a qualidade de vida dos habitantes locais.

  • “A questão energética”

34Reflexão sobre o lugar das energias renováveis provenientes do parque eólico na gestão do território do Cap Sizun.

  • “Usos que fazem a paisagem”

35Entender a dinâmica da paisagem a partir dos seus usos, ao analisar as suas estruturas, formas e funções.

36Nessa perspectiva da utilização da paisagem no sentido amplo, uma análise preliminar dos dados secundários foi realizada para elaborar esse projeto.

Análises cartográficas

37Um dos recursos utilizados foi a impressionante base de imagens (mapas e fotografias aéreas) do Instituto Nacional de Informação Geográfica e Florestal da França (IGN) “Voltar no tempo”.

Mapas 2 e 3 – Voltar no tempo: Pointe du Raz

Mapas 2 e 3 – Voltar no tempo: Pointe du Raz

Fonte : IGN

38Graças a essa base, foi possível acompanhar a evolução da ocupação do espaço nas zonas envolvidas do Cap Sizun, para entender a evolução da paisagem, e suas consequências. Nessa mesma perspectiva, também foi indispensável estudar as fontes da região da Bretanha e os dados estatísticos do Instituto Nacional de Estatística e de Estudos Econômicos (INSEE), que contêm os dados territoriais sobre municípios do GSF.

Mapa 4 – Mapear as paisagens da Bretanha

Mapa 4 – Mapear as paisagens da Bretanha

39Fonte : Observatoire de l’environnement en Bretagne, https://bretagne-environnement.fr/​cartographier-paysages-bretons-outil

40Os dados do INSEE, processados sob a forma de mapas, foram utilizados para situar os municípios envolvidos em relação ao departamento do Finistère.

Mapa 5 – A densidade em escala departamental

Mapa 5 – A densidade em escala departamental

41No mapa 5, constatamos que a distribuição demográfica do Finistère apresenta diferenças consideráveis entre o litoral e o interior. No caso do Cap Sizun, apenas a sua extremidade está incluída nos municípios mais densamente povoados, enquanto a maior parte de seu território apresenta índices baixos.

Mapa 6 – Variação da população 2013-2019

Mapa 6 – Variação da população 2013-2019

42Percebe-se no mapa 6 que toda a região do Cap Sizun está em declínio demográfico. Neste caso, ela segue a média geral do Finistère, ao contrário da costa norte do departamento, onde se observa uma renovação demográfica.

Mapa 7 – Diferença entre a taxa de natalidade/mortalidade

Mapa 7 – Diferença entre a taxa de natalidade/mortalidade

43O balanço bruto entre natalidade e mortalidade também mostra que Cap Sizun é uma zona de decrescimento populacional de seus municípios mais populosos. As exceções dizem respeito aos pequenos municípios de Goulien e Beuzec-Cap Sizun.

Mapa 8 – População idosa

Mapa 8 – População idosa

44No mesmo sentido dos dados anteriores, constata-se no mapa 8 que os municípios do Cap Sizun têm uma população majoritariamente idosa, o que marca toda a importância da problemática do dinamismo geracional.

Mapa 9 – Imóveis desocupados

Mapa 9 – Imóveis desocupados

45A análise dos dados sobre a habitação (mapa 9) permitiu constatar uma baixa disponibilidade de bens imobiliários que permitiriam a renovação demográfica na região do Cap Sizun. Cruzando-os com os dados sobre a idade da população, pode-se deduzir que uma janela de renovação das habitações nos municípios aparecerá nas próximas décadas, e é importante especificar as estratégias que serão usadas para aproveitá-la para o desenvolvimento local.

Mapa 10 – Residências secundárias

Mapa 10 – Residências secundárias

46Seria necessário para isso que parte das residências secundárias, vazias uma boa parte do ano, fosse restringida: no momento ela é na região envolvida uma das maiores do Finistère (mapa 10).

Entrevistas com os prefeitos e outros agentes locais

  • 3 Todos os prefeitos da zona envolvida foram entrevistados, exceto o de Plogoff, devido a agendas inc (...)

47As entrevistas, por sua vez, ocorreram com os prefeitos dos municípios do Cap Sizun3, bem como a comunidade dos municípios, e abordaram os temas principais do ordenamento do território.

  • Características específicas de cada município ou grupo de municípios.

  • Estrutura, mobilidade, circulação, projetos de planificação, atividades econômicas.

  • Ações notáveis no território, casos de sucesso.

  • Principais desafios e oportunidades para o ordenamento do território e suas transformações desde a instalação do GSF.

  • Recomendações para a dinamização do território em nível local e regional

Imagem 7 – As sedes das prefeituras

Imagem 7 – As sedes das prefeituras

48Durante as entrevistas qualitativas, as contradições a serem geridas também foram abordadas para entender os desafios da gestão do território do Pointe du Raz.

Figura 2: os desafios da gestão do território ativo e permanente

Figura 2: os desafios da gestão do território ativo e permanente

As contradições a serem geridas no ordenamento do território. Equidade e eficácia. Inovar e preservar. Ativo e permanente. Global e local e A gestão territorial vista e vivida. Essas contradições podem estar sujeitas a Análise Institucional e a Avaliação prospectiva.

49Essas cinco categorias de contradições foram elaboradas principalmente a partir da interação com os habitantes locais, sistematizando as diferentes manifestações espontâneas evidenciadas pelos diferentes grupos contatados.

Resultados e recomendações

50O resultado principal dessa primeira etapa de pesquisa na França foi uma análise SWOT específica, contendo a síntese transversal de todos os resultados analisados (documentais, estatísticos, cartográficos e empíricos). Seguindo a metodologia indicada, o resultado seguinte foi obtido (figura 3), apresentado e discutido durante uma reunião devolutiva, inicialmente restrita aos representantes locais e à governança do Grande Sítio, em seguida ampliada à população local.

Figura 3: SWOT específica

  • 4 N.T.: Eventos que acontecem na França, onde as pessoas participam de caminhadas que podem durar hor (...)

Forças

Fraquezas

Fatores internos

- recursos paisagísticos (a força motriz)

- novas atividades junto às antigas

- a produção de energia a partir de fontes renováveis (energia eólica) e seu papel pedagógico

- as zonas de conservação (patrimônio ambiental verde e azul)

- uma população receptiva ao turismo e aos visitantes

- a presença de trilhas de Grandes Caminhadas4 no território

- a circulação do transporte público

- o isolamento ferroviário do território

- as possibilidades limitadas de transporte rodoviário

- um sistema de caronas a ser desenvolvido

- a limitação financeira do GSF (dependência do estacionamento e da coleta de fundos por meio de projetos)

- pouca infraestrutura para o teletrabalho

- um turismo atual com curta duração de estadia

- um geomarketing a ser desenvolvido relativo à diversidade do território

- um diálogo regional a ser ampliado (Finistère e Bretanha)

Oportunidades

Ameaças

Fatores externos

- o selo GSF e sua visibilidade positiva

- o turismo ecológico, rural, esportivo e comunitário

- o alojamento de base local na expansão do turismo

- a fixação no território graças ao teletrabalho

- o reforço das infraestruturas de informação no território (fibra ótica e 5G)

- as paisagens do interior a serem exploradas (agrícolas, ambientais e históricas)

- o dinamismo territorial futuro é baseado na transição demográfica

- os efeitos negativos do turismo de massa, baseado nas idas e vindas de carro durante o dia

- a estagnação do território, se a transição demográfica não for bem realizada

- a inflação fundiária causada pela pressão externa

- o risco de exceder o limite da resiliência ambiental por causa da superlotação

- a dependência da temporada de verão para a vida econômica, se as outras estratégias não forem reforçadas

51A partir dessas constatações, bem como das discussões que seguiram à sua apresentação, as recomendações seguintes foram estabelecidas:

Redistribuir o fluxo turístico que vai à Pointe du Raz

Imagem 8: Outros trunfos turísticos do GSF

Imagem 8: Outros trunfos turísticos do GSF

Prolongar as estadias: criar/ reforçar percursos

52Percursos possíveis, favorecendo os circuitos suaves: caminhada, cavalo, bicicletas elétricas

  • Percurso botânico

  • Percurso geológico

  • Canto dos pássaros

  • Amanhecer e pôr do sol

  • Passeios comunitários: os habitantes mostram o Cap

  • Cursos

  • Cursos de aquarela e fotografia

  • Produtos locais

  • Residências de escritores, de fotógrafos e de pintores

  • Exposições nas capelas

  • Escolas do Cap Sizun

Encorajar novas atividades junto às antigas

Imagem 9: algumas atividades novas ou renovadas

Imagem 9: algumas atividades novas ou renovadas

53Novas possibilidades são oferecidas pelo desenvolvimento do teletrabalho, mas isso pressupõe melhorar o serviço em transportes públicos, o sistema de caronas, a qualidade das redes informáticas (5G e fibra ótica) e criar ou desenvolver espaços de coworking.

Assumir a hospedagem como variável-chave

54Tudo isso faz da hospedagem uma variável-chave, pois será necessário instalar as pessoas que praticam e orientam essas atividades, e então:

  • Acomodar os jovens habitantes, com seus filhos e então manter ou (re)abrir escolas.

  • Alojar os teletrabalhadores (casas)

  • Hospedar os visitantes sazonais (hospedagem comunitária),

  • Acomodar os turistas (locações de curta duração e albergues de juventude),

55Desse ponto de vista o domínio do uso do solo e de sua artificialização é evidentemente uma variável crucial. Mas, neste caso, de uma certa forma, o envelhecimento da população se tornou um trunfo, porque podemos prever com certeza que um vasto patrimônio vai ficar disponível, e essa “janela demográfica” é uma oportunidade a ser aproveitada.

Conclusões

56Em nossa opinião as principais ações a serem feitas são:

  • Aproveitar a renovação inevitável para garantir que a região não se torne um museu ou uma região que só vive o verão.

  • Favorecer a instalação dos habitantes permanentes, que são o futuro do Cap Sizun

  • Dar às novas gerações os meios de permanecer em Cap Sizun e acolher os novos habitantes, para que eles residam permanentemente lá.

  • Encorajar as atividades sustentáveis, em todos os sentidos da palavra (desenvolvimento sustentável e permanente todo o ano)

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Bibliographie

ABRAHAM J.P. (1997), Cap Sizun : La Pointe du Raz, Ed. Actes Sud Nature. Coll. Conservatoire du Littoral. 48 p.

ANDRADE, J. C. et al. « Aplicação da análise SWOT para identificar oportunidades para o desenvolvimento econômico e social”. Anais... XIII° encontro latino americano de iniciação científica e IX° encontro latino americano de pósgraduação – Universidade do Vale do Paraíba. 2008; Cruzeiro; São Paulo; Brasil.

BRAIVE P., FOSSEYEUX J., MARETTE C. et al. (2009) Petit traité des Grands Sites: Réfléchir et agir sur les hauts lieux de notre patrimoine, Arles : éd. Actes Sud. 221 p.

CHIAVENATO, I. Introdução à Teoria Geral da Administração. 3ª ed. S. Paulo: McGraw-Hill do Brasil, 2000. MARQUES, Joana Brás Varanda; FREITAS, Denise de. “Método DELPHI: caracterização e potencialidades na pesquisa em Educação”. Pro-Posições. V. 29, N. 2 (87) | maio/ago. 2018.

DEPARDON R. (2002) La Pointe du Raz, éd: Filigranes éditions. Coll. « Visa v. Littoral/piétinements, parcours ». 59 p.

DUIGOU S., LE BOULANGER JM (2012) Cap Sizun : au pays de la Pointe du Raz et de l’Île de Sein, Quimper : éd. Palatines. Coll. « Histoire et Géographie contemporaines ». 239 p.

GOULM Y. (2015) Autour du Cap Sizun. Ed. Nanga. Coll. Galleg. 90 p.

OLIER R. (2006) Cap Sizun, Ed. Le Télégramme. Coll. Beaux Livres.

PERROS G. (1973/2010), La Pointe du Raz dans quelques-uns de ses états, éd. Finitude. 64 p.

QUEFFELEC H. (1952) La Pointe du Raz, Châteaulin: éd. Jos Le Doaré. 30 p.

ZABALETA, João Pedro L. Matriz de priorização: uma ferramenta para estabelecer prioridades. Pelotas: Embrapa Clima Temperado, 2002

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Notes

1 E agradecem ao prefeito e administradores do alojamento por sua acolhida.

2 http://journals.openedition.org/confins/50961, DOI: https://doi.org/10.4000/confins.50961

3 Todos os prefeitos da zona envolvida foram entrevistados, exceto o de Plogoff, devido a agendas incompatíveis apesar do interesse de ambas as partes.

4 N.T.: Eventos que acontecem na França, onde as pessoas participam de caminhadas que podem durar horas ou dias. Elas geralmente acontecem em uma trilha na natureza.

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Table des illustrations

Titre Imagem 1 – Imagens de satélite do Cap Sizun
Crédits Fonte : Google Earth (2023
URL http://journals.openedition.org/confins/docannexe/image/63588/img-1.jpg
Fichier image/jpeg, 344k
Titre Imagem 2 – Mapa do GSF na Bretanha
Crédits Fonte : Région Bretagne
URL http://journals.openedition.org/confins/docannexe/image/63588/img-2.jpg
Fichier image/jpeg, 211k
Titre Imagem 3 – Mapa dos municípios do GSF Pointe du Raz, em Cap Sizun
Crédits Fonte: Hervé Théry et Raimundo Nonato Junior (2023)
URL http://journals.openedition.org/confins/docannexe/image/63588/img-3.jpg
Fichier image/jpeg, 176k
Titre Imagem 4 – Imagem de satélite de Ponta Negra
Crédits Source : Google Earth (2023)
URL http://journals.openedition.org/confins/docannexe/image/63588/img-4.png
Fichier image/png, 4,5M
Titre Imagem 5 e 6 – Pointe du Raz e Ponta Negra
Crédits Source : Revue Confins
URL http://journals.openedition.org/confins/docannexe/image/63588/img-5.jpg
Fichier image/jpeg, 220k
Titre Figura 1: modelo explicativo da análise SWOT
Légende Forças, fraquezas, oportunidades e ameaças.
Crédits Fonte : QSE (https://www.certification-qse.com/​risques-opportunites-bien-identifier/​).
URL http://journals.openedition.org/confins/docannexe/image/63588/img-6.jpg
Fichier image/jpeg, 131k
Titre Mapa 1 – As rotas seguidas pelos pesquisadores no campo
URL http://journals.openedition.org/confins/docannexe/image/63588/img-7.jpg
Fichier image/jpeg, 126k
Titre Figura 2 – Artigo na Confins sobre a base da pesquisa
Crédits Fonte : revista Confins
URL http://journals.openedition.org/confins/docannexe/image/63588/img-8.jpg
Fichier image/jpeg, 153k
Titre Mapas 2 e 3 – Voltar no tempo: Pointe du Raz
Crédits Fonte : IGN
URL http://journals.openedition.org/confins/docannexe/image/63588/img-9.jpg
Fichier image/jpeg, 121k
Crédits Fonte : IGN
URL http://journals.openedition.org/confins/docannexe/image/63588/img-10.jpg
Fichier image/jpeg, 91k
Titre Mapa 4 – Mapear as paisagens da Bretanha
URL http://journals.openedition.org/confins/docannexe/image/63588/img-11.jpg
Fichier image/jpeg, 166k
Titre Mapa 5 – A densidade em escala departamental
URL http://journals.openedition.org/confins/docannexe/image/63588/img-12.jpg
Fichier image/jpeg, 211k
Titre Mapa 6 – Variação da população 2013-2019
URL http://journals.openedition.org/confins/docannexe/image/63588/img-13.jpg
Fichier image/jpeg, 192k
Titre Mapa 7 – Diferença entre a taxa de natalidade/mortalidade
URL http://journals.openedition.org/confins/docannexe/image/63588/img-14.jpg
Fichier image/jpeg, 239k
Titre Mapa 8 – População idosa
URL http://journals.openedition.org/confins/docannexe/image/63588/img-15.jpg
Fichier image/jpeg, 418k
Titre Mapa 9 – Imóveis desocupados
URL http://journals.openedition.org/confins/docannexe/image/63588/img-16.jpg
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Titre Mapa 10 – Residências secundárias
URL http://journals.openedition.org/confins/docannexe/image/63588/img-17.jpg
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Titre Imagem 7 – As sedes das prefeituras
URL http://journals.openedition.org/confins/docannexe/image/63588/img-18.png
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Titre Figura 2: os desafios da gestão do território ativo e permanente
Légende As contradições a serem geridas no ordenamento do território. Equidade e eficácia. Inovar e preservar. Ativo e permanente. Global e local e A gestão territorial vista e vivida. Essas contradições podem estar sujeitas a Análise Institucional e a Avaliação prospectiva.
URL http://journals.openedition.org/confins/docannexe/image/63588/img-19.png
Fichier image/png, 70k
Titre Imagem 8: Outros trunfos turísticos do GSF
URL http://journals.openedition.org/confins/docannexe/image/63588/img-20.png
Fichier image/png, 2,0M
Titre Imagem 9: algumas atividades novas ou renovadas
URL http://journals.openedition.org/confins/docannexe/image/63588/img-21.png
Fichier image/png, 1,9M
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Référence électronique

Raimundo Nonato Júnior et Hervé Théry, « Dois grandes sítios como alavancas de desenvolvimento regional:  »Confins [En ligne], Traductions, mis en ligne le 28 juin 2025, consulté le 10 août 2026. URL : http://journals.openedition.org/confins/63588 ; DOI : https://doi.org/10.4000/148cc

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Auteurs

Raimundo Nonato Júnior

Professeur à l’Université Fédérale du Rio Grande do Norte (UFRN) – Chercheur invité à l’Université Sorbonne Nouvelle, raimundo.nonato@ufrn.br

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Hervé Théry

Professeur à l’Université de São Paulo (USP) – Chercheur émérite au Creda (CNRS/ Université Sorbonne Nouvelle), hthery@aol.com

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