1O presente é uma condição inevitável da produção de uma investigação que responda ao desafio da Etnográfica: escrever um ensaio acerca do que gostaria de pesquisar se tivesse tido a oportunidade de acompanhar in loco a revolução de 25 de Abril de 1974. Desde logo, é a omnipresença cronológica do investigador em viagem ao passado, que torna verosímil que alguém entusiasmado com o fim da ditadura de 48 anos se abstraísse das emoções dos acontecimentos, para se ocupar com uma pesquisa. O investigador que realiza esta etnografia da revolução é o mesmo que conhece a evolução do país nos últimos 50 anos e a produção da memória pública sobre o 25 de Abril, e é também alguém com determinado trajeto social, ideias políticas estabilizadas e uma perspetiva sobre a investigação em ciências sociais. Imaginar-me outra pessoa, sem ligação ao meu presente – um grande proprietário rural, um intelectual orgânico do Estado Novo, um funcionário colonial, um antropólogo culturalista ou apenas uma projeção minha neste passado – proporcionaria uma digressão literária que deixo para um eventual convite da Etnográfica a propósito dos 100 anos do 25 de Abril. Assim, a distância e reflexões facultadas pela passagem do tempo encontram-se na base das questões que problematizam esta proposta. O investigador viaja beneficiando de uma máquina do tempo, ele não estava realmente lá. A mesma circunstância afasta-o de sensações que apenas pode captar em segunda mão, mesmo que tenha predisposição para as reclamar como suas.
- 1 Embora seja um trabalho de história oral, o trabalho do jornalista Studs Terkel (1970) acerca da gr (...)
2Esta etnografia do 25 de Abril propõe recriar um espaço de pontos de vista sobre o que seria a vida em Portugal 50 anos após a revolução, isto é, hoje, em 2024. Para isso, numa jornada por cidades e pequenos lugares no Portugal metropolitano, seriam entrevistados indivíduos em posições sociais distintas, e produzido um registo das suas histórias, ideias, desejos e ambições.1 Inicialmente, pensei incluir neste trajeto as populações africanas em processo de libertação do colonialismo português. Apesar da subalternização da memória do 25 de Abril levada a cabo pelas novas nações independentes, a revolução portuguesa, forjada nos campos de batalha das guerras coloniais africanas, alterou o rumo das suas histórias. A ampliação do programa de trabalhos forçaria, porém, os limites deste já longo ensaio.
- 2 Aumentou a definição do que era politicamente concebível e variedade de “instrumentos de perceção e (...)
3A demonstração da faculdade dos momentos revolucionários de alargarem o espaço das práticas e das imaginações é o primeiro objetivo desta pesquisa. O 25 de Abril concedeu recursos para que os indivíduos sentissem que as suas ações os ajudavam a controlar o presente e o futuro, alargando o campo de possibilidades da sua ação e imaginação. Se os “pontos de vista” são moldados pelo lugar de origem e trajeto social de quem os produz, a captação destas imaginações durante uma revolução modifica a relação entre condição, ação e imaginação. 2
- 3 Para Cerezales, a reposição deste poder coercivo, depois de novembro de 1975, explicaria a posterio (...)
4Na sequência do processo de mudança em Portugal, várias esferas institucionais ganharam uma inusitada flexibilidade, geridas, agora, por regras, valores e práticas distintas. Isso mesmo demonstraram, por exemplo, Diego Palácios Cerezales (2003), que estudou o efeito do colapso e reorganização do poder coercivo do Estado após o 25 de Abril no aumento da participação popular, e Pedro Ramos Pinto (2013), que analisou as causas dos movimentos sociais urbanos durante o período.3 Assim, o 25 de Abril tornou os mundos institucionais – laborais, políticos, familiares, estatais, associativos – temporariamente mais flexíveis, contribuindo para a pulverização do poder entre os indivíduos, promovidos então a atores de um movimento coletivo que consagrou e valorizou a sua participação. Nascida da constatação prática de que normas e valores mudaram, esta libido revolucionária possuiu um significado político. O seu reconhecimento, por um lado, relativiza perspetivas que advogam as vantagens de processos de transição controlados por elites dirigentes, que garantiriam a preservação da estabilidade quotidiana, das tradições nacionais e religiosas, das estruturas económicas e da gestão do interesse nacional pelas classes dominantes. Por outro lado, salienta como o processo de institucionalização de direitos políticos, legitimados pela regularidade de atos eleitorais, não substitui a energia criativa da mobilização cívica, nem o papel fundamental que desempenha no reforço das democracias, o que não isenta estes processos de instrumentalizações e da possível reversão do seu potencial emancipador. Nem todos os portugueses beneficiaram deste processo de mudança. Para alguns, dependentes das estruturas do Estado Novo e do seu império colonial, a capacidade de manobra política e social reduziu-se. Aprofundando a análise dos efeitos plurais da rutura revolucionária, esta investigação pretende explorar também as imaginações de quem, de repente, viu o futuro fechar-se e perdeu meios para expressar um sentido individual e coletivo.
- 4 Seria possível argumentar contra Bourdieu que o “irreconhecimento” (méconnaissance) das regras do j (...)
5Numa segunda dimensão, esta etnografia explora a comparação entre imaginações produzidas no período revolucionário e a situação atual de Portugal. Sobre o percurso do país, este meio século permite constatar como, à semelhança de outras revoluções, o 25 de Abril acelerou o tempo social, mesmo equacionando o desalento de muitos com as conquistas revolucionárias – uma certa inconsciência em relação à inércia e ao conservadorismo das estruturas sociais e dos corpos justifica estas expectativas frustradas, mas esta inconsciência é, simultaneamente, um motor insubstituível da mudança social.4 O 25 de Abril rompeu com um tempo longo português. No imediato, com a ditadura do Estado Novo, mas mais amplamente com a pesada herança do antigo regime. Assim, a revolução tornou os cidadãos menos dependentes de uma sociedade ainda fundada em direitos de sangue e na crença generalizada de que o destino fora traçado por Deus; uma sociedade dominada por notáveis, pelas redes da igreja católica e pelas suas instituições de caridade, pelas relações de patrocinato, pela obediência ao líder político, ao patrão, ao clérigo, ao professor e ao homem chefe de família. Pelo império, o 25 de Abril facilitou a libertação dos africanos de um sistema colonial racista, iníquo e explorador.
- 5 A produção antropológica e sociológica realizada em Portugal nos anos após o 25 de Abril permite qu (...)
6É certo que já durante a ditadura de Salazar e Caetano a estrutura social portuguesa se transformou, agitada por necessidades de modernização económica, pela movimentação das populações e pela chegada de hábitos e consumos culturais, muitos deles vindos de fora. Mas esta modernização autoritária, gerida por uma ditadura discricionária, vigilante e aterrorizadora, procurou respeitar o antigo contrato social. Também se sabe como este contrato social não soçobrou à força da revolução. Afastando-se de relatos sobre grandes acontecimentos e figuras providenciais, várias investigações, nomeadamente de caráter monográfico, demonstraram como, apesar das mudanças demográficas e produtivas, se mantiveram no país modelos de relação social antigos, ajustados agora aos procedimentos de um sistema democrático.5 Reconhecendo estas permanências, um conjunto de estruturas fundadas no tempo longo português perderam capacidade de reprodução após abril de 1974. A organização do Estado reagiu ao movimento geral, respondeu a desejos e expectativas, incrementou o seu poder infraestrutural, reorganizou-se, inovou condutas e técnicas, nem sempre com a eficácia e a rapidez esperadas. Em muitas dimensões, legitimou uma nova hierarquia de poder, não totalmente estranha à situação anterior à revolução. E, ainda assim, o processo de institucionalização então desenvolvido, assente na defesa de direitos, reconhecidos na redação da Constituição de 1976, aprofundou-se nas últimas cinco décadas, não de forma linear nem progressiva, dada a sua dependência de opções políticas e condições estruturais.
7Mas de que forma a materialização destas conquistas em diversas esferas da vida quotidiana portuguesa como a conhecemos em 2024 se aproxima ou distancia dos desejos, ambições e imaginações dos indivíduos que viviam a revolução e serão entrevistados para esta etnografia do 25 de Abril?
- 6 A história dos partidos na revolução, por exemplo, é uma vítima deste esquema analítico, que é inca (...)
8Por fim, abusando da condição de ubiquidade permitida pela circulação entre dois tempos, este investigador da revolução, à semelhança das personagens do conhecido filme Regresso ao Futuro, deseja ir ao passado para mudar o presente. Embora problemática, esta interferência tem limites bem definidos: não se trata de transformar o rumo da revolução e a sequência dos seus acontecimentos, mas de produzir um corpo de fontes que possibilite o alargamento da discussão atual sobre a memória pública do 25 de Abril. Muito presentista, este objetivo procura evitar que a história do 25 de Abril seja capturada pelas categorias da memória política dominante, contaminada pelos termos constitutivos das lutas políticas. Elemento fundamental da formação do campo político português em democracia, a memória pública do 25 de Abril é um terreno de luta pelo significado da revolução. Produzida pelas instituições políticas – partidos, governos, sindicatos, associações –, por militares, notáveis, por jornalistas e grupos de interesse, esta memória tende a acomodar-se a grelhas de interpretação predefinidas, ocupadas a identificar posicionamentos ideológicos e partidários, nacionais e internacionais e, finalmente, a decifrar a “vontade do povo” e o “interesse nacional”. Fixando o sentido de acontecimentos e da experiência dos indivíduos, as categorias invocadas pelas análises políticas da história são as mesmas produzidas pelo campo político.6
9As práticas e as imaginações suscitadas pela revolução não foram necessariamente orientadas para a prossecução de um modelo de organização social e político específico – o socialismo, a democracia, a integração europeia – mesmo que retoricamente se tenham expressado pelos termos definidos por essa gramática. Heterodoxos, por vezes contraditórios, muitos desejos individuais não se ajustavam, a não ser por delegação, aos princípios e discussões presentes no vivo e expansivo mercado de oferta política da época, tendencialmente monopolizados por iniciados e especialistas. Eles expressavam racionalidades e sentidos práticos que, desde lugares sociais específicos, respondiam frequentemente a problemas quotidianos, desde logo os relacionados com a urgência da provisão de necessidades materiais básicas para o sustento da vida familiar e das comunidades envolventes. A revolução alargou a possibilidade de os trabalhadores intervirem no mundo laboral, reclamando direitos e formulando desejos de participação e gestão, ou, simplesmente, exigindo o reconhecimento do valor do seu ofício; criou legítimos desejos de acesso ao consumo, ao tempo livre e ao bem-estar; abalou a esfera familiar, atravessada por choques geracionais e tensões entre géneros, desafiou a dominação masculina, ajudou a transformar a ideia de família, de sexualidade, as dinâmicas de reprodução e fertilidade; na relação com o Estado, canalizou exigências do suprimento de necessidades coletivas, na educação, na saúde, na habitação; mobilizou a participação na vida dos bairros, onde muitos passaram a contribuir diretamente para a resolução dos problemas. Por tudo isto, o 25 de Abril promoveu a entrada de muitos portugueses num jogo de que haviam sido excluídos, ou marginalizados; outros jogadores, em perda com a nova situação política, embora fragilizados, não ficaram incapazes de reagir. Progressivamente, esta energia foi filtrada e canalizada pela inevitável organização do campo político, essencial para institucionalizar procedimentos democráticos, mas sujeita a lógicas de fechamento e especialização que reduzem o espaço das possibilidades políticas, alargado em sequência da revolução.
10Como é que os interlocutores desta investigação imaginam o campo político português em 2024? De que modo a situação atual, na qual os cidadãos estão, em grande medida, confinados ao estatuto de consumidores de uma oferta política filtrada mediaticamente, que simplifica desejos, expectativas e condições sociais, contrasta com as imaginações revolucionárias? E de que forma a leitura deste contraste é útil para avaliar o que quotidianamente se convencionou chamar “crise de representação”? Esta etnografia deseja recuperar estas histórias e as suas racionalidades práticas, e conceder-lhes um lugar relevante no processo de produção de uma memória pública do 25 de Abril, mas também usá-las para discutir a situação contemporânea.
- 7 Uma das poucas antropologias históricas do 25 de Abril foi escrita por Sónia Vespeira de Almeida (2 (...)
11O recurso à história oral é um reconhecido instrumento para resgatar pontos de vista menos passíveis de menção na história do sistema político e dos seus principais protagonistas. Permite, assim, identificar com maior rigor os efeitos amplos de uma revolução e democratizar as narrativas historiográficas. O que aqui se propõe, no entanto, não é uma história oral do 25 de Abril, mas uma etnografia da revolução.7 Ao contrário do investigador viajante no tempo, os seus entrevistados viviam o momento, não tinham uma memória do 25 de Abril, estavam a produzi-la em tempo real e olhavam para o futuro a partir do que viviam e sentiam. Não existem muitos registos sistemáticos realizados à época que explorem a relação entre o mundo criado pela revolução e a produção de imaginações do futuro. Encontramo-los, dispersos, em relatos jornalísticos, depoimentos pessoais e em algumas filmagens.
- 8 Para além de As Armas e o Povo, outros filmes foram realizados durante o processo revolucionário 25 (...)
- 9 Na folha de sala que escreveu para apoiar a projeção na Cinemateca Portuguesa, Luís Miguel Oliveira (...)
- 10 Segundo alguns teóricos dos estudos das revoluções, caso de Theda Skocpol (1985), esta participação (...)
12No dia 1 de maio de 1974, sete dias após o golpe que derrubou o Estado Novo e abriu as portas ao processo revolucionário, o cineasta brasileiro Glauber Rocha registou os extraordinários acontecimentos portugueses para um filme coletivo produzido pelo Sindicato dos Trabalhadores da Produção de Cinema e Televisão. Estreado mais tarde com o nome de As Armas e o Povo, esta obra juntou cineastas e técnicos, muitos deles protagonistas do “cinema novo” português.8 Na economia do filme, as imagens da equipa de Glauber Rocha destacaram-se pelo uso das técnicas do cinema direto. No meio da população, junto de bairros, entrando em quintais e casas, o cineasta colocou questões acerca do 25 de Abril, do fim do Estado Novo e das guerras africanas, falou da condição dos seus interlocutores na ditadura e dos seus desejos de futuro. Enquanto meio para alcançar a “natureza do povo”, a transparência sugerida pelo registo direto é enganadora, condicionada que se encontra pelas condições históricas e sociais dos entrevistados e pelas próprias situações em que decorreram as entrevistas. Apesar desta constatação, o método de Glauber é inspirador, tanto pelo que mostra, como pelo que sugere. Criticado pelo seu tom panfletário,9 As Armas e o Povo tem o mérito de mostrar como as ruas de Lisboa foram um cenário, não encenado, de festejo maciço;10 na economia narrativa da película, cabe ao cinema direto de Glauber Rocha criar uma representação mais tensa e contraditória do “povo” português, reveladora do desejo de participação na construção de um quotidiano comum, mas contrastante com representações lineares desta massa em movimento, dominantes na história política e memorialística.
13Não se manifestando sobre a situação política, alguns entrevistados falaram da miséria vivida durante a ditadura. A este propósito, destaca-se uma polifonia de vozes femininas: “O maior sonho da minha vida é que me dessem uma casinha”; “Só peço que dessem uma casinha à gente, sempre vivemos em barracas, muito mal agasalhadas”; “quero uma melhor vida para minha filha, para os meus filhos, para o meu marido ganhar mais, para podermos ter uma casa melhor”; “moro numa barraca, chove lá e tudo, não tenho ninguém”; “tenho cinco filhos… estamos a dormir quase todos juntos na cama, um homem querer fazer as suas necessidades e esconder-se de um filho, uma mulher querer fazer as suas necessidades, e esconder-se de um filho […] tenho uma menina doente, não tem um rim, foi operada ao outro e não tenho auxílios”; “vivo numa barraca e a família dorme toda uma com a outra, se isto vai melhorar precisamos de uma casinha melhor, com casas de banho”. Um jovem entrevistado, questionado sobre a sua posição política, hesita, olha para trás à procura de uma voz ponderada que responda por ele, e acaba por se identificar como operário. Num bairro pobre, uma mulher, Deolinda, assume que não vai à manifestação do 1.º de Maio, está descrente, desconfiada, não sabe o que ali vem (“Acredita na revolução, acha que vai ter uma revolução em Portugal?”, pergunta Glauber Rocha. Depois de uma longa pausa, Deolinda diz que “talvez”. “E o que é que acha que pode fazer para mudar a situação?”, “Trabalhar”, responde Deolinda com firmeza). Revelando como as pessoas desejavam falar, as imagens de Glauber mostram como faltavam palavras para dizerem tudo o que queriam: “O que é você quer da vida?”, pergunta o cineasta a uma jovem, “Viver, viver um futuro melhor”. A olhar para a câmara, um jovem militar revela o domínio sobre o léxico comum da gramática revolucionária: “as forças armadas limitaram-se simplesmente, pá, a interpretar o anseio do povo oprimido, pá, por um governo fascista”. Outro militar asseverou: “só queremos uma coisa, ordem e disciplina dentro deste movimento maravilhoso que é o movimento das forças armadas”. E outro ainda, em resposta à pergunta: “o que é que o senhor acha do futuro dessa revolução?”, responde, “não sei, não sei explicar isso”. Sobre o processo de descolonização desejado, um jovem procura a quadratura do círculo: “poder-se-ia dar a liberdade a essas províncias ultramarinas, embora sem vergonha para o país […] Acho, pois, depois de tudo o que temos feito, que aquilo não se devia perder assim sem mais nem menos”. Outro cidadão mostrou-se feliz pelo efeito da revolução nas suas relações próximas: “estou alegre, satisfeito, nunca tive a oportunidade de falar com amigos, porque eu desconfiava deles e eles se calhar desconfiam de mim”. Várias ativistas do Movimento Democrático de Mulheres falaram para a câmara de Glauber acerca da situação inaceitável da mulher em Portugal; insistiram então na urgência de mudanças, nomeadamente a necessária legalização do aborto.
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14Intrusivas, disparadas em catadupa em interações na rua, quase sempre em contextos onde se juntavam várias pessoas, as perguntas de Glauber Rocha instigam as pessoas, aparentemente libertas do passado, a falar da sua condição e a antecipar o futuro. O pequeno laboratório do cineasta brasileiro expõe um espaço de pontos de vista, necessariamente limitado, que esta proposta de etnografia da revolução procurará desenvolver. Para esse efeito, pretende definir um programa sistemático de pesquisa de terreno, no decorrer do qual indivíduos situados em lugares distintos na sociedade portuguesa partilhariam a sua imaginação de Portugal 50 anos após o 25 de Abril. O que devem estas representações às condições práticas e simbólicas criadas pelo processo revolucionário? Quais os contrastes entre estas representações e a situação atual do país? E como podem estas narrativas contribuir para uma pluralização da memória de Abril?