1Este ano, a revista Laboreal celebra os seus vinte anos. As comemorações que nos reuniram em fevereiro, no Porto, permitiram-nos, por um lado, fazer um balanço do trabalho monumental realizado pelas equipas da revista ao redor do mundo e, por outro, pensar nas evoluções do mundo do trabalho ao longo das últimas duas décadas.
2Quando idealizámos o número da Laboreal de julho de 2026, pensámos logo que seria necessário não apenas fazer um balanço do que aconteceu - na revista e no mundo do trabalho -, mas também projetarmo-nos para o que está por vir. Nas últimas décadas, não só se degradaram as condições de trabalho, como também a forma como alguns humanos, ao trabalhar, contribuíram para o declínio das condições de vida no planeta e do estado das nossas democracias. Porque o planeta e a forma como convivemos não mudam por si sós, mas pela ação humana. Por este motivo, pareceu-nos indispensável pensar o dossier temático deste número a partir da noção de utopias. Porque, se o trabalho pode estar associado à origem do mal, também sabemos que, graças ao trabalho, é possível construir um mundo melhor. A solução para os problemas de hoje não surgirá se nós, seres humanos, não contribuirmos para a conceção de um modo de trabalhar alternativo.
3É, por isso, um prazer para nós apresentar-vos um dossier temático sobre o tema «Trabalho e Utopia(s)». Este dossier inscreve-se no vigésimo primeiro número da revista Laboreal, que nasce, então, de uma constatação: a dimensão utópica não só é cada vez mais necessária, como também convoca um conceito cada vez mais explorado nas investigações e estudos sobre o trabalho (Donaggio, 2025). Este número constitui, para a Laboreal, uma oportunidade de realizar um estado da arte sobre o tema, a partir de uma perspectiva empírica, propícia à discussão nesta matéria.
4Desde o século XIX, as crises cíclicas das nossas sociedades industriais alimentaram múltiplas abordagens que se inscrevem no projeto de definição de um outro mundo possível (Polanyi, 1944/2001; Morris, 1890). Mas as últimas décadas revelaram um estado de crise profundo que nos leva a duvidar, mais radicalmente do que nunca, da validade e da sustentabilidade das nossas formas de pensar e de agir. Os nossos futuros encontram-se em risco; os nossos modelos societários estão a esgotar-se sob a influência das alterações climáticas e das crises sociais, sanitárias e políticas. Neste cenário, o lugar central do trabalho humano é inegável.
5O trabalho é chave para entender nossas sociedades, pois cristaliza os seus sintomas. No entanto, é igualmente por meio do trabalho que se colocam em marcha as alternativas e as dinâmicas que possibilitam realizar as ações de maneira diferente, transformando, para melhor, a nossa forma de viver. Através dessas iniciativas, a conceção de utopia torna-se um campo fértil para pensar o possível, aquilo que se planeia além dos factos, aquilo que sustenta, aquilo que é questionado, aquilo que se propõe como convivência e também aquilo que se constrói neste momento de urgência. A utopia emerge da urgência e manifesta-se quando o futuro se torna obscuro e/ou o presente se torna intolerável. Ora, o futuro do trabalho, conforme é prescrito e vivido atualmente, parece ser, mais do que nunca, insustentável a longo prazo. Novas formas de precariedade, vulnerabilidade, tecnologias, maior polivalência e mobilidade no mercado de trabalho, tensões relacionadas a novas formas de responsabilização, obrigações contraditórias, lógica do risco zero... Todos esses fatores contribuem para a fragilidade e difícil sustentabilidade da nossa era. As dimensões patogénicas e alienantes do trabalho parecem exacerbar-se, suscitando iniciativas pontuais, mas cada vez mais numerosas, de pessoas e coletivos que decidem tentar trabalhar de outra forma, transformar o seu trabalho para que volte a ser, ou passe a ser, fonte mais efetiva de bem-estar e de uma outra maneira de viver.
6A utopia, mais horizonte do que conceito, esboça-se mais do que se define. Vai sendo moldada ao ritmo dos projetos, dos coletivos e das pessoas que os encarnam e concretizam, assumindo, na maioria das vezes, a forma de «pequenas utopias» (Donaggio, 2025) ou de «utopias concretas» (Bloch, 1976) que ganham corpo e delineiam outras formas de fazer em conjunto, de trabalhar e de criar novas relações com o trabalho, frequentemente ancoradas em territórios ou contextos específicos (Pueyo, 2020). Como assinala Jacques Rancière numa entrevista recente (2025), a utopia que hoje se coloca já não é tanto a das grandes transformações, mas antes a das pequenas comunidades utópicas.
7Quer se trate de coletivos nascidos da reativação de espaços industriais abandonados, de cooperativas criadas numa lógica de circularidade ecológica, de redes de movimentos de feminização de determinadas profissões, da recuperação de fábricas e empresas por parte dos trabalhadores, etc., todas estas iniciativas têm em comum uma abordagem utópica e desenham configurações de trabalho que consideramos oportuno destacar aqui.
8Se este número tem a(s) utopia(s) como pano de fundo de uma nova etapa da revista, não o definimos como uma rutura, mas antes como um vetor da trajetória da Laboreal. Com efeito, os seus autores não deixaram de mostrar e analisar, mesmo sem necessariamente se referirem explicitamente a esta noção, como, entre o prescrito e o real, ou entre a tarefa e a atividade, se vão desenhando em diferentes contextos utopias discretas, saberes práticos, desobediências e ações coletivas menores. Todos estes são exemplos de tentativas da procura por fazer melhor e de outro modo, recuperando formas de emancipação no trabalho. Utopia(s) também com referência frequente a propostas axiológicas e metodológicas formuladas por pensadores e atores do trabalho (Ivar Oddone, Alain Wisner, Yves Schwartz, nomeadamente) e que, desde cedo, propuseram conceitos e configurações originais para pensar e agir em conjunto. Utopia(s) sustentada(s) por aqueles que, defendendo uma ergonomia da atividade numa perspetiva de desenvolvimento, contribuíram para a emergência de sistemas de trabalho que questionam as relações de poder instituídas (Barcellini et al., 2024). Utopia(s), por fim, como chave de leitura para historicizar e situar a análise e a transformação do trabalho, ancorando-as numa história mais ampla e problematizando-as.
9Utopias discretas, utopias concretas, utopias práticas ou reais: todas parecem hoje particularmente necessárias e urgentes, devendo, por isso, (re)converter-se em matéria de reflexão, de intercâmbio e de transformação, como já o declarava há 15 anos Renato Di Ruzza no dicionário da Laboreal (2011). Nestes tempos de transições, as formas de pensar e de agir sobre o trabalho integram cada vez mais a dimensão utópica que sustenta a evolução dos mundos do trabalho e das comunidades de vida. Este número servirá, portanto, como oportunidade para apresentar uma visão atualizada sobre esta questão.
10O dossier temático reúne cinco textos que exploram, a partir de diferentes contextos empíricos, as relações entre trabalho, transformação e dimensão utópica. Em particular, propõe-se a interrogar as condições que dão origem a projetos de mudança, tomando a conceção da utopia como pano de fundo, bem como as formas pelas quais o trabalho e a atividade são pensados, antecipados e reconfigurados nesses processos. Analisam-se também as dinâmicas de transformação do trabalho contemporâneo e o papel que a investigação e a intervenção podem desempenhar no acompanhamento destes processos. As contribuições aqui apresentadas permitem identificar, através da análise do trabalho real, experiências, práticas e iniciativas que revelam o potencial criador e transformador do trabalho vivo, contribuindo para uma reflexão crítica sobre futuros possíveis e desejáveis para o mundo do trabalho. Como é habitual na revista Laboreal, os textos escolhidos provêm de diferentes países e centram-se na análise do trabalho real.
11No domínio do cuidado, Silvia Rochet mostra-nos, a partir de uma perspetiva sociológica, o desfasamento existente entre as trajetórias utopistas de um centro terapêutico francês de tratamento das dependências, no que respeita a uma determinada visão da saúde e da organização cooperativa do trabalho, e as realidades vividas pelos residentes e pelos cuidadores. O artigo analisa as condições particulares da vida quotidiana dos residentes e trabalhadores deste centro, à luz do conceito de heterotopia de crise de Foucault (1967/2004). A partir da análise desta situação de trabalho real, questionam-se as tensões que se manifestam na articulação entre um objetivo programático de transformação dos comportamentos individuais e um objetivo utópico de reestruturação das relações sociais, orientadas para um ideal de cooperação. Não obstante, descrevendo de forma interacionista o trabalho desenvolvido nesta estrutura, bem como as relações entre cuidadores e pessoas cuidadas, são sinalizadas as implicações que o modelo apresenta, tanto no que respeita à temporalidade em que esta vida utópica se torna possível, como na seleção dos residentes suscetíveis de serem admitidos e mantidos nesta comunidade que representa a sua transição estatutária (Glaser & Strauss, 2014), de utilizador dependente a utilizador em processo de recuperação.
12O segundo texto chega-nos do México. Adriana Hernández-Gómez e José Manuel Rizo-Diego conduzem-nos ao domínio do ensino à distância na universidade. O texto interessa-se pelo trabalho real de docentes e estudantes universitários. Os autores mostram como as universidades se adaptaram à digitalidade global, por vezes sem preservar a sua função crítica, humanista e transformadora. Esta digitalização orientou o trabalho docente para uma faceta nova e degradada: o trabalho sem a presença do corpo, o trabalho solitário, atomizado e com poucas possibilidades de prazer e de trabalho vivo. Que vias existem ainda para preservar o trabalho vivo perante esta situação? Serão estas vias uma possibilidade para um futuro diferente? Através de cinco grupos de reflexão com docentes universitários do ensino online no México, analisa-se, a partir da psicodinâmica do trabalho, a relação subjetiva destes docentes com o seu trabalho e as possibilidades de o repensar na era digital. O artigo mostra as dificuldades de um trabalho docente que se realiza totalmente através da mediação tecnológica, bem como as formas criativas que se mobilizam para preservar o ofício. Conclui-se que é indispensável continuar a propor linhas de fuga, utopias, perante a digitalização da universidade.
13Anne de Rugy apresenta, em seguida, os resultados de uma investigação de terreno baseada num estudo sociológico qualitativo, assente em entrevistas em profundidade, sobre bifurcações profissionais descendentes com redução de rendimentos. Este artigo mostra como a mudança de emprego pode constituir um espaço de experimentação de uma “utopia pessoal”. Seguindo Erik O. Wright (2017, 2010), esta “utopia real” tem origem numa crítica das condições atuais de trabalho e numa aspiração a vivê-lo com maior liberdade. Esta emancipação implica possibilidades de autorrealização no trabalho através da aquisição de novas competências, de uma maior variedade e criatividade nas tarefas e da mobilização de capacidades tanto manuais como intelectuais. A satisfação obtida no trabalho torna aceitável a redução do consumo, que passa a ser secundário e, além disso, legitimado por aspirações ecológicas orientadas para uma maior sobriedade e autoprodução. Embora estas utopias pessoais apresentem diferentes graus de politização, as práticas são eloquentes: ao redefinirem o trabalho como um fim e o consumo como uma condição, aqueles que mudam de trajetória profissional formulam uma crítica prática a uma ordem económica produtivista que reduz o trabalho a um mero meio. Estas experiências podem, assim, ser interpretadas como formas de resistência intersticial que se inscrevem em aspirações mais amplas de mudança social.
14Outra utopia académica é a do projeto Transições Sensíveis, apresentado por Carole Baudin. Este texto apresenta uma exploração, a partir de uma abordagem inédita de «pensamento em gestos», do pensamento através dos gestos ou do gesto. O artigo relata a forma como um projeto de investigação se transformou progressivamente numa exploração coletiva, levada a cabo por um grupo híbrido de investigadores e artistas que experimentam ferramentas e técnicas derivadas do pensamento estético e coreográfico, na tentativa de captar o trabalho vivo na sua essência. Como toda a utopia, o projeto «Transições Sensíveis» surge de uma constatação alarmante: a crise da sensibilidade que sufoca a nossa relação com os seres vivos e com o ambiente. Uma perda dos sentidos que induz uma perda de sentido nessas relações e que se cristaliza especialmente nos mundos do trabalho em transição. Esta constatação implica, por conseguinte, uma necessária e urgente renovação das formas de pensar e de agir sobre as dimensões sensíveis do trabalho vivo, que as Transições Sensíveis se propõem explorar a partir de uma abordagem inédita de «pensamento em gestos». Esta contribuição apresenta, então, o surgimento e os primeiros desenvolvimentos teóricos e metodológicos deste projeto.
15A partir de uma perspetiva da Psicologia Social do Trabalho, o texto de Heloisa Aparecida de Souza, Giulia Garbuglio Pucci e Lorena Cristianini Martinez explora as práticas de organização do trabalho coletivo desenvolvidas nos acampamentos do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) como estratégia de emancipação, resistência e promoção da saúde. Ao analisarem estas práticas, que se contrapõem às dinâmicas neoliberais de precarização e individualização do trabalho, as autoras tornam visíveis diferentes dimensões do sofrimento, bem como o potencial heurístico e transformador dos saberes produzidos na experiência quotidiana de uma luta assumida coletivamente. Os acampamentos configuram-se, assim, como uma utopia concreta em ato, ancorada num território em disputa, em que a resistência assume uma dimensão coletiva e organizada. Mais do que a projeção de uma sociedade ideal, estas formas de organização revelam a utopia como prática prefigurativa e horizonte de transformação que se constrói no quotidiano, através da experimentação de outras formas de trabalho, de sociabilidade e de produção da saúde.
16Para além do dossier temático, encontramos outros textos que compõem a secção Varia, permitindo continuar os debates sobre o trabalho real.
17O primeiro texto apresenta um amplo trabalho de campo realizado no Chile. Marina Calamari, Mario Poy e Jorge Walter procuram compreender como se configuram as situações que antecedem os acidentes mortais na construção e que aspetos do trabalho ficam fora das categorias tradicionais de análise. A partir de 61 casos de acidentes fatais ocorridos na indústria da construção chilena e de testemunhos de testemunhas, supervisores e outros atores, os autores realizam uma análise qualitativa que permite reconstruir as sequências imediatamente anteriores ao acidente. Calamari, Poy e Walter identificaram um padrão consistente: quase metade dos acidentes ocorreu em situações de transição entre atividades operacionais, como inícios ou encerramentos de tarefas, deslocamentos no estaleiro e mudanças não previstas de função. O resultado mostra que a exposição ao risco não se concentra apenas na execução da tarefa atribuída, mas também nas situações que ligam um momento do trabalho ao seguinte. Estes dados sugerem a necessidade de alargar os quadros habituais de análise dos acidentes, para reconhecer explicitamente estas situações de transição no interior do trabalho.
18Quanto à Raissa Carvalho, Sandra Gemma, Juliana Leite e Flavia Lima trazem-nos um estudo que explora os impactos do teletrabalho nos trabalhadores da Fundação Jorge Duprat Figueiredo de Segurança e Medicina do Trabalho (Fundacentro), no Brasil. Este artigo revela as contradições inerentes às promessas contemporâneas de flexibilidade, autonomia e produtividade que acompanham a digitalização do trabalho. Isto é, os resultados evidenciaram a transferência de responsabilidades para os trabalhadores, a dissolução das fronteiras entre a vida pessoal e o trabalho, a intensificação do controlo e a sobrecarga, com consequências para a saúde. Ao tornar visíveis as estratégias de regulação e os modos de fazer desenvolvidos pelos trabalhadores para lidar com diferentes exigências da sua atividade, este estudo mostra igualmente como, mesmo em contextos marcados por novas formas de precarização, continuam a emergir, na atividade concreta, utopias discretas e práticas de emancipação, ancoradas nos saberes produzidos pela experiência e na procura de outras maneiras de viver e de trabalhar.
19E encontrarão ainda a recensão do livro coletivo intitulado Travailler fait-il toujours sens ? (Ainda faz sentido trabalhar?), que acaba de ser publicado em França sob a direção de Thomas Coutrot, Marie-Anne Dujarier, Alexis Cukier, Corinne Gaudart, Léonie Hemdat, Dominique Lhuilier, Margaux Trarieux et Émilie Veyrat (2026). Fruto de um trabalho de longa duração, este livro apresenta uma análise multidisciplinar e multissetorial da crise de sentido no/do trabalho, que Carole Baudin apresenta aqui - recorrendo à luz da dimensão utópica do dossier deste número.
205.1. Na rúbrica Datário, procurámos prestar homenagem a um projeto utópico histórico! New Harmony, um projeto vanguardista de aldeia cooperativa, fundada por Robert Owen, que, em 2026, cumpre dois séculos desde a sua fundação. Alexis Blanklejder e Mario Poy descrevem, a partir da Argentina, os traços deixados pela utopia socialista que Owen ensaiou em pleno surgimento da Revolução Industrial. Em particular, a sua aposta na educação permitiu pôr em evidência e transformar o trabalho infantil e, para além disso, induzir melhorias nas condições de trabalho e na organização do trabalho nas indústrias têxteis. O seu legado inscreveu-se nas leis do trabalho da Grã-Bretanha, ilustrando que uma utopia pode efetivamente impulsionar dinâmicas de desenvolvimento. Passados 200 anos da fundação de New Harmony, a tentativa de Robert Owen de estabelecer uma Aldeia de Cooperação nos Estados Unidos, à imagem da famosa New Lanark, na Escócia, os autores consideraram oportuno recordar as múltiplas inovações implementadas nesta última. Aquele que viria a ser identificado, a posteriori, como um socialista utópico implementou, na fábrica de algodão sob a sua responsabilidade, práticas de gestão orientadas para a proteção da infância, a educação, a higiene industrial e o cooperativismo, que constituíram o protótipo de projetos futuros, indo contra a corrente dos seus concorrentes e sem, por isso, deixar de tornar o negócio rentável. Alguns destes feitos são os que Blanklejder e Poy nos propõem recordar neste texto notável.
215.2. E fechamos este número com a nossa rúbrica dos Textos históricos, prestando uma homenagem a Laerte Idal Sznelwar, nosso grande amigo falecido em 2025. Decidiu-se que seria apresentada uma passagem da sua tese de doutoramento, defendida no Conservatório Nacional de Artes e Ofícios de Paris em 1992, sob a orientação de Alain Wisner. Este texto foi comentado por Alain Garrigou e Fabienne Goutille, que, num testemunho a duas vozes, mostram com afeto a via vanguardista que Laerte abriu, então, em ergotoxicologia e, mais além, no estudo e na transformação das condições de trabalho. Multifacetado e precursor de uma visão verdadeiramente multidisciplinar, Laerte sintetiza, no capítulo 3 da sua tese, intitulado "Proposição", que aqui apresentamos, esta abordagem, inovadora na época e ainda tão atual, que propôs a articulação entre a toxicologia, a análise do trabalho, a psicodinâmica do trabalho e a antropotecnologia. Este olhar rigoroso, respeitoso e compreensivo continua a ser uma "linha mestra" para os trabalhos que se seguiram em ergotoxicologia. Ainda nos custa crer que Laerte já não esteja fisicamente connosco. Publicar parte da sua tese, e pela primeira vez em português, é uma forma de continuar a tê-lo junto a nós e de continuar a pensar com ele, que tanto nos faz falta. Agradecemos a todos os que participaram neste trabalho de longo fôlego, com tanto carinho. Não só para escolher o texto, mas também para o traduzir e comentar.
22Queremos expressar o nosso mais sincero agradecimento a todas as pessoas que contribuíram para tornar possível esta edição da Laboreal. Em primeiro lugar, agradecemos às autoras e aos autores dos textos aqui publicados, bem como às tradutoras, cujo trabalho é fundamental para promover o diálogo e a difusão do conhecimento entre diferentes geografias. Da mesma forma, queremos reconhecer o valioso contributo das/os especialistas que avaliaram as propostas de artigos submetidas a este dossier. Muito obrigado a Isabel ALTAMIRANO (Ergocare, Chile); Claudio BRUNORO (Escola Politécnica, Universidade de São Paulo, Brasil), Willy BUCHMANN (Centre de Recherches sur le Travail et le Développement – CNAM, França), Ignacio CASTELLUCCI (Universidad de Valparaíso, Chile), Gabriela CUENCA (Grupo de investigación en Ergonomía (GIE), Departamento de Ingeniería Industrial, Facultad Regional Buenos Aires (FRBA), Universidad Tecnológica Nacional (UTN), Argentina), Sandro De GASPARO (Laboratoire ATEMIS, Paris, França), Marianne DE TROYER (Département Conditions de travail, Santé et Sécurité de l’Institut syndical européen (etui), membre du Réseau Genre-Activité-santé (GAS), Bélgica), Corinne GAL (Département De Psychologie, Laboratoire Epsylon, Équipe CIL Corps, Image, Langage, Université de Montpellier Paul Valéry, França), Michel LALLEMENT (CNAM, França), Francisco LIMA (Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG; Escola de Engenharia - Departamento de Engenharia de Produção; Laboratório de Ergonomia e Organização do Trabalho, Brasil), Sebastien MOURET (INRAE, França), Adelaide NASCIMENTO (Équipe CONCEPTS, UMR SADAPT, INRAE – CAMPUS AGRO PARIS SACLAY, França), Soledad NION (Departamento de Sociologia, Faculdade de Ciências Sociais, Universidad de la República, Uruguai), Claire PAGES (Université Paris Nanterre, França), Sylvia PELAYO (Centre d’investigation clinique pour les technologies innovantes, Université de Lille, França), Cláudia PEREIRA (Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto, Portugal), Sara RAMOS (ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa, DINÂMIA’CET-Iscte, Portugal), Duarte ROLO (Escola Superior de Educação João de Deus, Lisboa, Portugal), Cecília ROS (Universidad Nacional de Lanús, Argentina) e Cathy TOUPIN (Laboratory Paragraphe, Université Paris 8, França).
23Agradecemos, por fim, a Enrico Donaggio e a Valérie Pueyo, que começaram esta aventura connosco e, sobretudo, que alimentaram este tema através dos seus trabalhos vanguardistas sobre utopias e trabalho, tanto a partir de um ângulo filosófico e crítico (Donaggio et al., 2022), como a partir da integração da dimensão utópica no eixo metodológico de condução de projetos ergonómicos (Pueyo, 2022), representando, assim, a pluralidade de perspetivas sobre o trabalho que queremos para a Laboreal.
24O rigor, a dedicação e a exigência científica no trabalho de todos os que nos ajudaram na construção deste número constituem um elemento essencial para a qualidade editorial e científica da revista. A todas e a todos, expressamos o nosso profundo reconhecimento pelo seu compromisso com a produção de conhecimento científico de qualidade.
25No seu vigésimo aniversário, viva a revista Laboreal. E que vivam as utopias.
26Esperamos que gostem deste número.
27Em nome do Comité Editorial da Laboreal.
28Carole Baudin, Patricio Nusshold, Sarah Maggioli