1Em 2025, completaram-se dois séculos desde a fundação da New Harmony, o projeto de aldeia cooperativa de Robert Owen em Illinois, nos Estados Unidos da América. Esta criação foi precursora do que mais tarde ficou conhecido como as Aldeias de Cooperação (Cole, 1943). As aldeias tinham como objetivo implementar um “sistema social” ou “ciência da sociedade” (Simeón, 2017, p. 95), mais tarde abreviado como “socialismo”. A New Harmony encerrou dois anos após a sua inauguração. Ainda que tenha fracassado no seu objetivo original, estas aldeias eram precedidas por uma iniciativa que, poucos anos antes, tinha conferido a Owen um amplo reconhecimento: as múltiplas inovações implementadas na fábrica - um novo objeto arquitetónico - de fio de algodão de New Lanark, que serviria de inspiração (Cole, 1943).
2Neste datário, propomos descrever algumas das medidas inovadoras implementadas em New Lanark durante a direção de Robert Owen, que foi responsável por múltiplas mudanças, tais como a melhoria dos salários, da saúde e inclusive da situação económica daqueles que ali trabalhavam, melhorias de vanguarda para a maioria dos seus concorrentes. Entre as melhorias, salientam-se como as mais relevantes a proteção da infância e as melhorias nas condições e na organização do trabalho, antecedentes das reformas das primeiras leis fabris inglesas. Outras práticas que deixaram marca abrangeram aspetos ligados à higiene, à educação e à psicologia, que lançaram as bases para a posterior construção do conceito de infância e que foram implementadas apenas em New Lanark (Owen, 1943). É por essa razão que consideramos que a comemoração da New Harmony é uma excelente desculpa para recordar New Lanark, uma fábrica que foi um verdadeiro oásis de direitos em pleno surgimento da revolução industrial.
- 1 É possível fazer um percurso virtual através do seguinte link: https://maps.app.goo.gl/nkSZPS658wx4 (...)
3New Lanark, situada na Escócia, nas margens do rio Clyde [1], foi fundada por David Dale em 1795, que a projetou como uma "povoação planeada" e não como um apêndice de uma fábrica, com a finalidade de constituir uma comunidade onde se fomentassem as relações interpessoais, de forma diferente entre o patrão e os trabalhadores, para mitigar o impacto social da industrialização (Simeón, 2017).
4Por se tratar de uma indústria relativamente nova e com menos tradição, foi mais fácil experimentar inovações tecnológicas. A produção de algodão em bruto nos Estados Unidos passou, entre 1790 e 1810, de 680 para 36.500 toneladas, à custa das práticas esclavagistas (Derry e Williams, 2004). As fibras do algodão, ao contrário da lã, do linho e da seda, apresentam maior uniformidade, resistência e elasticidade, características que permitiram avançar na mecanização da sua fiação (Derry e Williams, 2004). Como resultado, o algodão tornou-se uma manufatura de baixo custo, que, além disso, permitia ser estampado e tingido com facilidade, a que se somava a possibilidade de uma lavagem rápida. Em 1830, as exportações de algodão eram quatro vezes mais importantes do que as de lã e representavam metade das exportações britânicas (Derry e Williams, 2004)
- 2 De acordo com a obra de Brown (1828), Peel foi o principal empregador de aprendizes provenientes de (...)
5Este crescimento exponencial da indústria resultou na necessidade de legislação destinada a regular os efeitos que este modo de produção fabril introduziu nas condições e no ambiente de trabalho e, sobretudo, naquilo que hoje conhecemos como luta contra o trabalho infantil. Assim, no ano de 1802, foi promulgada a Factory Act, denominada Lei de Saúde e Moral dos Aprendizes, baseada no projeto de Sir Robert Peel [2], que a fundamentou na má gestão das suas próprias fábricas. Com esta lei, considerou que os prejuízos poderiam ser remediados de forma mais eficaz do que com os controlos que ele próprio não conseguia levar a cabo.
- 3 Refere-se à Leitura (Reading), Escrita (Writing) e Aritmética (Arithmetic), pela sua pronúncia em i (...)
6Esta primeira lei das fábricas tinha como objetivo principal proteger a saúde dos mais jovens em dois aspetos centrais: o excesso de trabalho e as condições insalubres. As principais disposições visavam a limitação da jornada de trabalho a 12 horas diárias, a eliminação progressiva do trabalho noturno dos aprendizes e a instrução destes em leitura, escrita e aritmética - denominados “os 3 Erres” [3] -, bem como a entrega de uma muda de roupa de trabalho por ano, entre outras.
7Porém, na altura em que a referida lei foi promulgada, alguns locais de trabalho já praticavam práticas de gestão da mão de obra que excediam as condições exigidas pela lei - uma dessas poucas exceções foi New Lanark.
8Para além das escassas exceções constituídas pelas crianças de classe abastada, a Revolução Industrial deparou-se com a maioria das crianças a trabalhar desde idades muito precoces (Thompson, 2012). Por outro lado, a composição etária da população, considerando a esperança média de vida no Reino Unido naquela época, que era de cerca de 39 anos, aproximadamente metade da atual, pelo que a proporção de crianças até aos 7 anos era muito mais elevada do que nos dias de hoje.
Figura 1: Esperança de vida entre 1770 e 1870 no Reino Unido, na Europa e no Mundo. Adaptado de Life Expectancy, por M. Roser, E. Ortiz-Ospina e H. Ritchie, 2019, Our World in Data (https://ourworldindata.org/life-expectancy). CC BY.
- 4 A Lei dos Pobres foi promulgada pela rainha Isabel e obrigava os indigentes e órfãos a tornarem-se (...)
9Antes do início da Revolução Industrial, as crianças trabalhavam em sua própria casa ou como aprendizes em asilos paroquiais, onde eram formadas até aos 12 anos, no caso das raparigas, e até aos 13, no caso dos rapazes, conforme exigido pela Lei dos Pobres [4]. Durante a Revolução Industrial, estes asilos chegaram a oferecer dinheiro para que as crianças fossem levadas para trabalhar nas fábricas de algodão. Desta forma, a indústria têxtil abasteceu-se de uma grande quantidade de mão de obra infantil em condições que não tardaram a gerar efeitos calamitosos na saúde física e psíquica dos menores.
- 5 Richard Arkwright (1732-1792), industrial que também patenteou algumas das máquinas que permitiram (...)
- 6 O edifício da fábrica ainda se mantém de pé e pode ser visitado virtualmente em https://maps.app.go (...)
10O projeto de New Lanark seguiu os padrões estabelecidos por Richard Arkwright [5], que tinha fundado a primeira fábrica de algodão hidráulica do mundo em Cromford [6], Derbyshire, na Escócia. Entre os anos de 1771 e 1810, foram fundadas na Grã-Bretanha vinte e nove aldeias têxteis deste tipo, dezoito das quais na Escócia, fruto de um planeamento generalizado destinado a impulsionar o progresso económico e social do país. No caso de New Lanark, a construção teve início e fim em 1795, tendo entrado em funcionamento nesse mesmo ano. Estas aldeias planeadas manifestavam uma preocupação conjunta pela funcionalidade, pela higiene e inclusivamente pela estética. As descrições construtivas no que diz respeito aos materiais, às práticas de higiene e aos serviços sociais de New Lanark apresentam um contraste evidente com as habitações dos operários descritas por Engels (1845) em Manchester, até mesmo 45 anos mais tarde.
- 7 Entre 1771 e o início da década de 1830, foram fundadas na Grã-Bretanha mais de setecentas fábricas (...)
- 8 A partir de 1790, o uso do vapor de água expandiu-se simultaneamente, ainda que não à mesma velocid (...)
11As fábricas hidráulicas utilizavam como força motriz a água no estado líquido [7] e não o vapor de água, como se poderia supor, dado que se desenvolveram em plena Revolução Industrial, caracterizada pela máquina a vapor de James Watt. New Lanark, em particular, dispunha de uma grande quantidade de recursos hídricos durante todo o ano, provenientes das cataratas do rio Clyde. Esta variedade de ferramentas permitiu que, poucos anos depois, a fábrica alcançasse o estatuto de maior fiação de algodão do Reino Unido. Isto sucedeu na década de 1830, quando a máquina a vapor se tornou uma opção mais económica do que a energia hidráulica, o que impulsionou o auge da fiação urbana de algodão, em consonância com a redução dos lucros de New Lanark [8].
- 9 Expressão da língua inglesa que se refere às pessoas que alcançam conquistas através do seu próprio (...)
12Robert Owen visitou New Lanark pela primeira vez a 15 de junho de 1798, altura em que conheceu Dale, que já era um proeminente industrial e filantropo. Tal como Owen, era o que se denomina um self-made man [9]. Antes da primeira Lei das Fábricas, quando a jornada de trabalho média diária variava entre 12 e 14 horas, Dale já a tinha limitado a 11 horas, com duas pausas para refeições.
13A educação foi um dos eixos centrais dos projetos de Owen e, durante toda a sua vida, levou a cabo diversas ações para a sua implementação. Embora os jovens fossem considerados pecadores em potencial - à espera da redenção através do estudo da Bíblia - Owen defendia uma educação orientada para a "reeducação racional" das classes trabalhadoras, um ideário próprio do Iluminismo, que considerava que, ao orientar as novas gerações pelo "bom caminho", estas se tornariam agentes com maior poder e capacidade de mudança. Segundo Siméon (2017), em Owen encontra-se tanto a perceção da criança como uma tábua rasa, como a sua defesa do sistema racional de recompensa e castigo. Estas ideias apresentam traços evidentes da obra Pensamentos sobre a Educação, de John Locke, antecedentes filosóficos da escola da psicologia comportamentalista surgida nas primeiras décadas do século XX. Em termos gerais, para Owen, a educação estava fortemente ligada à higiene popular e à tolerância religiosa.
14Entre 1813 e 1816, o sistema escolar de New Lanark foi aperfeiçoado de modo a implementar teorias experimentais sobre a formação da classe operária, com características inovadoras: implementou uma educação centrada na criança, rejeitando a aprendizagem por memorização e os castigos corporais e defendendo a educação como um jogo.
15A 1 de janeiro de 1816, Owen inaugurou o seu projeto mais famoso: o Instituto para a Formação do Carácter (IFC), que incluía uma creche, uma escola primária, uma capela interconfessional, um salão de dança, uma biblioteca e salas de eventos. Segundo Simeón (2017), o objetivo de Owen ao reunir sob o mesmo teto atividades educativas, políticas, religiosas e de lazer era criar comunidades que ultrapassassem o âmbito da família nuclear.
16Enquanto as crianças da classe operária urbana frequentavam apenas as escolas dominicais, em New Lanark, mais de seiscentos alunos frequentavam aulas de segunda a sábado, em jornadas de 12 horas com dois intervalos para as refeições, com uma duração média de oito anos (Simeón, 2017). No campo, por sua vez, o ensino dependia do ritmo sazonal das tarefas agrícolas.
17Até à partida de Owen para os Estados Unidos em 1825, o IFC ofereceu, além das aulas diurnas para crianças e adultos, aulas para alunos dos 10 aos 18 anos, ministradas das 19h às 21h, após o horário de trabalho. A partir de 1824, o horário noturno tornou-se acessível aos adultos mais velhos de forma voluntária.
18O trabalho infantil era acompanhado por uma disciplina baseada em castigos físicos e abusos. O primeiro relatório da Comissão de Investigação das Fábricas indicava que, de um total de 595 fábricas têxteis inspecionadas, se recorria ao castigo corporal em 55 (9%) (Simeón, 2017). Mas, de acordo com comentadores da época, estes índices não refletiam a realidade, uma vez que o castigo físico era uma prática muito difundida em toda a sociedade, tanto no âmbito familiar como no educativo.
(...) Outra destas diversões diabólicas consistia em limar os dentes dos aprendizes. Numa ocasião, Blincoe viu-se obrigado a abrir a boca para receber este castigo, e Robert Woodward aplicou-lhe a lima com grande vigor. Depois de o ter castigado quanto quis, o bruto disse com sarcasmo: “Faço isto para te afiar os dentes, para que possas comer melhor o teu jantar de domingo..” (Simmons, 2007, p. 143).
- 10 Todos os trabalhadores da fábrica dispunham de um cubo de madeira, com as faces laterais pintadas d (...)
- 11 Além disso, este sistema permitia uma melhor comunicação, tendo em conta que parte da mão de obra d (...)
19Perante a Comissão de Investigação das Fábricas de 1833, antigos trabalhadores de New Lanark declararam que se recorria frequentemente à violência física antes da chegada de Owen à direção da fábrica, em 1800. A partir desse ano, e em oposição à disciplina negativa, este implementou dispositivos para a disciplina racional, como os denominados “telégrafos” ou “monitores silenciosos” [10], cubos de madeira coloridos, que serviam diariamente como meio para o patrão comunicar aos trabalhadores novidades sobre o seu desempenho, produtividade e comportamento [11]. A vontade de erradicar a violência física concretizou-se quando Owen despediu os capatazes que reincidiram nessas práticas (Siméon, op. cit. P. 66).
20De igual modo, para Dale Owen, filho de Robert, a disciplina negativa, aplicada através de multas e advertências formais, era considerada necessária em casos de insubordinação deliberada, como a embriaguez reiterada ou as faltas sem autorização. Se essas práticas se revelassem ineficazes, procedia-se ao despedimento como último recurso (Siméon, Ibid., p. 85).
21O princípio filosófico que orientou as ações de Owen é o Determinismo [12], doutrina que pressupõe que o desenvolvimento dos fenómenos naturais, dos acontecimentos e, em particular, das ações humanas está diretamente ligado e determinado por uma cadeia de acontecimentos anteriores. Esta doutrina opõe-se a uma visão em que os fenómenos são explicados pelo acaso e que se assemelha ao fatalismo, segundo o qual os seres humanos não têm qualquer influência [13]. Daí que, ao abrigo da chamada doutrina das circunstâncias, se deva agir sobre o contexto e foi por isso que Owen implementou ações sobre o ambiente ou “circunstâncias externas”, e sobre as “circunstâncias internas” dos indivíduos - mais importantes e poderosas do que as primeiras - que abrangem tanto a educação como as atividades e experiências humanas. Entre estas últimas, encontra-se a disciplina racional, constituída pela transparência das normas e pela priorização da disciplina positiva. Segundo Siméon (2017), a educação popular representava para Owen um ponto de encontro entre a sua conceção da gestão da classe operária e os pressupostos mais universalistas das teorias deterministas sobre a formação do carácter.
- 14 Sir Robert Peel (1750-1830), político e industrial têxtil britânico, impulsionou o projeto que deu (...)
- 15 Apenas vinte e oito dos peticionários não conseguiram assinar o nome, tendo, em vez disso, desenhad (...)
22Em junho de 1816, foi apresentado um projeto de lei na Câmara dos Comuns, redigido por Owen, que defendia a regulamentação do trabalho infantil nas fábricas têxteis. Esta proposta contou com o apoio de Peel [14] e visava alterar a Factory Act de 1802, de aplicação restrita ou, nas palavras de Brown, "letra morta" (Simmons, 2007, p. 135). Nessa ocasião, em vez de exigir uma normativa para a regulamentação da sua própria fábrica - tal como fizera Peel em 1802 (Hutchins, 1911) - foi Owen quem apresentou as disposições e normas da sua fábrica, para que servissem de precedente para aplicação universal. Em 1818, a iniciativa contou com o apoio de 556 homens da New Lanark, que apresentaram uma petição ao parlamento a apoiar a emenda [15]. Estes peticionários pretendiam que as práticas propostas fossem implementadas no resto do país “em nome da humanidade e da justiça”.
- 16 Para além do cumprimento deste ponto, o nível geral de alfabetização da população era ainda reduzid (...)
23A lei, aprovada em 1819, introduziu a proibição do trabalho de crianças com menos de 9 anos, a proibição de jornadas de trabalho superiores a 12 horas para crianças com menos de 16 anos e a obrigação de afixar um resumo ou uma cópia da lei num local visível da fábrica [16]. Contudo, não foi tão longe quanto as propostas de Owen, que incluíam a proibição do trabalho de crianças com menos de 10 anos (medida implementada em New Lanark desde 1816), a limitação da jornada diária dos menores a 10,5 horas para permitir uma educação que não se reduzisse aos “três Erres”, mas que incluísse aulas de ciências, humanidades e exercício físico, bem como o alargamento do âmbito da legislação de 1802 a todas as crianças empregadas nas fábricas de algodão, lã e linho e a todas as fábricas que empregassem mais de 20 pessoas, fossem estas aprendizes ou não. No que diz respeito à nomeação de inspetores, a Lei não incluiu nenhuma alteração, apesar de Owen ter proposto a nomeação de inspetores remunerados e qualificados.
24A “Doutrina das circunstâncias” podia e devia estender-se a todos os aspetos da vida humana, através de um processo de educação comunitária semelhante ao praticado em New Lanark.
(...) Owen chegou a acreditar que só num ambiente assim seria possível erradicar as raízes egoístas da concorrência económica e persuadir homens e mulheres a intercambiar os seus bens numa base justa, produzindo por necessidade e não por lucro, e beneficiando do fruto do seu trabalho em lugar de serem escravos da mão de obra (...) (Siméon, op. cit. p. 95).
25As Aldeias de Cooperação constituir-se-iam em comunidades onde, reconhecidos os avanços da Revolução Industrial, se alcançaria um equilíbrio entre a agricultura e a indústria. Mas estas ideias foram criticadas pelos conservadores, uma vez que as viam como uma utopia equivocada, ao passo que os radicais as identificaram como um exemplo de despotismo iluminado. Houve inclusivamente resistência no seio da própria New Lanark, como quando instou os seus habitantes a tomarem as suas refeições diárias numa cantina comum. Isto foi entendido como uma invasão da vida privada, tal como quando quis implementar alterações na instrução religiosa da comunidade.
26Este último acontecimento impediu-o, após uma votação do conselho, de supervisionar as escolas, decisão que acatou e pela qual foi demitido a 9 de novembro de 1823. Posteriormente, conseguiu que a decisão fosse revogada, na condição de que fossem restabelecidos os estudos bíblicos diários na escola. Mais tarde, os professores foram substituídos por instrutores piedosos e formados em Lancaster, e foi determinado que as aulas de dança, que os quacres consideravam inadequadas, fossem pagas. Além disso, foi proibido o uso do kilt (saia escocesa masculina), por ser considerado indecente. Estas resistências, tanto por parte dos membros como da comunidade fabril, fizeram com que Owen tomasse a decisão de abandonar New Lanark em 1825, rumo a Illinois, nos Estados Unidos.
27Num contexto industrial em emergência que propiciou todos os tipos de abusos e onde proliferaram doenças decorrentes de ambientes de trabalho nocivos e acidentes causados por máquinas inseguras, Owen construiu um oásis, onde:
(...) Os castigos eram proibidos e a disciplina era livremente aceite; a Assembleia Geral dos trabalhadores decidia sobre as grandes questões, respeitando a gestão das fábricas, e a população determinava as regras de vida da comunidade. Além disso, New Lanark era próspera e rentável, e foi este conjunto de características que lhe conferiu celebridade (…) (Di Ruzza, 2011, p. 3)
28Acreditamos que a classificação de utópico atribuída a Owen, devido a projetos posteriores a New Lanark que fracassaram, funcionou como um estigma que ainda hoje dificulta o reconhecimento da ampla série de inovações destinadas à proteção da infância, à gestão baseada no diálogo, à promoção da cultura, à implementação de benefícios sociais e à higiene em sentido lato, com especial enfoque na infância.
29Atualmente, poucas empresas se distinguem - para além dos bens que produzem ou dos serviços que prestam – por serem consideradas notáveis nos aspetos que New Lanark ofereceu à comunidade de trabalhadores e às suas famílias. Da mesma forma, em muito poucas constatamos que as medidas implementadas são amplamente superiores às exigências legais e que, além disso, são o resultado de decisões tomadas por quem dirige a gestão, sem por isso deixarem de ser consideradas um negócio produtivo.