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Clássicos e textos de referência

Sobre a Situação Geográfica de Ratzel: breve nota

Sergio Nunes Pereira

Entradas no índice

Geográfico:

Alemanha

Cronológico:

Século XIX, Século XX
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Texto integral

Agradeço a Breno Viotto, Larissa Lira, Leonardo Arantes e Willian Antunes por compartilharem informações que foram úteis a esta apresentação.

I

1Ao apresentarmos esse texto de Friedrich Ratzel evitamos a tentação de transformar a ocasião em pretexto para fazer um balanço do pensamento de um autor que, felizmente, há algum tempo, deixou de ser maldito. Para tal balanço dispomos da historiografia, que oscila entre reprovações “clássicas” (Febvre, 1954 [1922]) e “críticas” (Quaini, 1983 [1975]), por um lado, ou revisões que fazem justiça à potência de suas ideias (Raffestin, 1993 [1980]; Carvalho, 1997, 1999), por outro. Não é de agora que apreciações positivas de Ratzel vieram à tona, sobretudo fora do âmbito cultural francês (Sauer, 2000 [1931]; Broek, 1972 [1965]); e, mesmo em momentos de revisionismo crítico, não faltaram interpretações austeras – no melhor sentido do termo – que não se deixaram levar por juízos preconcebidos (Moraes, 1990a). Nessas condições, a questão se desloca, então, para o modo pelo qual nos apropriamos do ideário de Ratzel. O método mais recomendável – ler o autor diretamente – nos é dificultado pela pouca acessibilidade do alemão como idioma acadêmico, problema que não se apresentava no final do século XIX e início do século XX. Para ficarmos apenas com exemplos brasileiros, gerações como a de Capistrano de Abreu e Roquette-Pinto, na linha do pensamento social, e de Delgado de Carvalho, Backheuser e Raja Gabaglia, renovadores do ensino de geografia, valeram-se intensamente da leitura de Ratzel, o que explica em grande parte a solidez de suas propostas. Após a institucionalização da geografia no país, no entanto, o panorama modifica-se sensivelmente. Com a afirmação da geografia francesa como matriz científica da disciplina, a leitura em alemão, em geral, e de Ratzel, em particular, soava pouco recomendada. Mais à frente, com a influência crescente da geografia norte-americana e britânica, são os autores dessas nacionalidades e o idioma inglês que ocupam o cenário. Naquela altura, Ratzel parecia habitar um planeta distante.

2A partir da década de 1970, quando a renovação da disciplina estimulou a releitura dos clássicos e a geografia política, como subcampo, redefiniu suas premissas fundadoras, eis que nos vemos novamente diante do velho mestre de Leipzig. A tendência manifestou-se em todos os centros importantes de produção do conhecimento geográfico, sob diversos idiomas, como nos mostrou Marcos Bernardino de Carvalho (1997): italiano (Vallega, 1989); alemão (Fliedner, 1992); francês (Sanguin, 1990, 1995; Mercier, 1992; Lopreno e Pasteur, 1994); inglês (Tesuka, 1995) – acrescentaríamos, nesse último caso, Mark Bassin (1987a, 1987b). No Brasil, tivemos na coletânea organizada por Moraes (1990a), já citada, um suporte notável para a difusão dos textos de Ratzel, acompanhada de uma introdução elucidativa (Moraes, 1990b). No final dessa mesma década, afinadas com a releitura do universo ratzeliano em curso, vieram à luz as contribuições de Carvalho (1997, 1999), com interpretações mais generosas sobre o legado do geógrafo. Não é despropositado dizer que uma nova etapa do conhecimento sobre Ratzel teve início, com o grande mérito de dispensar intermediários no acesso a suas ideias, tais como Febvre (1954 [1922]), Quaini (1983 [1975]), Sodré (1976) e outros. Restava, contudo, dispor de traduções do autor realizadas diretamente do alemão, que permitissem uma percepção mais acurada de seu pensamento. A coletânea de Moraes (1990a) conta com textos expressivos e selecionados com perspicácia pelo organizador, mas todos derivam do italiano, espanhol, francês ou inglês. As fontes e a bibliografia utilizadas por Carvalho (1999) situam-se também nesses mesmos idiomas, o que é perfeitamente compreensível em certo nível do trabalho acadêmico. No entanto, imersões em um autor estrangeiro requerem conhecimentos idiomáticos específicos que ampliem a compreensão de suas ideias, ainda mais no caso do alemão, com seus vocábulos precisos e específicos, difíceis de traduzir para idiomas com léxico mais flexível. Com frequência, expressões originais em alemão são vertidas para outras idiomas sem a devida preocupação com a precisão terminológica referida, através de pretensos sinônimos que estão longe de funcionar como equivalentes semânticos.

  • 1 Kleine Schriften von Friedrich Ratzel (Pequenos Escritos de Friedrich Ratzel), obra organizada por (...)
  • 2 Vale um gesto de louvor aos editores de GEOgraphia, em especial a Rogério Haesbaert, responsável pe (...)
  • 3 GEOUSP Espaço e Tempo (v. 15, n. 1, 2011, pp. 51-58) publicou a tradução de Matheus Pfrimer de uma (...)

3Luciana Martins, então estudante de pós-graduação em Geografia na Universidade Federal do Rio de Janeiro, foi certamente a primeira entre nós a brindar seus pares acadêmicos com uma tradução de Ratzel e uma investigação sobre o autor realizada a partir de seus escritos originais (Martins, 1992, 1993). Não bastasse a seriedade com que realizou as tarefas, pois se capacitou através de anos de estudo do alemão, a pesquisadora deslocou a perspectiva historiográfica vigente à época – mesmo em nível mundial – sobre o geógrafo. Ao privilegiar os “pequenos escritos”1 de Ratzel no lugar de suas grandes obras sistematizadoras, Martins descortinou um pensador bem diferente daquele já conhecido: em vez de positivista ou determinista, salta aos olhos um autor sensível a questões metafísicas, religiosas e artísticas. Há um pouco de tudo nesses “pequenos escritos”. Sua singularidade reside não tanto nos temas presentes, mas na pouca rigidez acadêmica do material publicado, o que favorece uma visão mais cuidadosa de certos traços do pensamento e preocupações de Ratzel, para além da sistematização da geografia como disciplina científica. Antes de entrar propriamente no documento aqui apresentado, vale destacar que Luciana Martins, felizmente, não ficou isolada na iniciativa de traduzir para o português textos do autor a partir de fontes originais. Após a publicação de Freunde, im Raum wohnt das Erhabene nicht! [Amigos, o sublime não mora no espaço!] nas páginas da revista GEOgraphia (Ratzel, 2001 [1902]), um número considerável de traduções com esse perfil veio à luz, no referido periódico2 ou em alguns (poucos) outros,3 como se pode observar no quadro a seguir (Figura 1).

Figura 1. Relação de textos do Ratzel traduzidos diretamente do alemão (2011-2019)

Figura 1. Relação de textos do Ratzel traduzidos diretamente do alemão (2011-2019)

Elaboração própria

II

4Em Anthropogeographie v.1 (1882), Ratzel definiu em separado as expressões situação [lage] e espaço [raum], fundamentando a primeira no fato evidente de os Estados não estarem isolados e sofrerem, constantemente, pressões por parte de seus vizinhos. Para além dos efeitos políticos e militares dessa condição, o autor associou à noção considerações sobre a civilização, os recursos naturais e a riqueza dos corpos políticos contíguos, os quais atuariam em estreita colaboração. Dessa maneira, os fatores geográficos que determinam a situação de um Estado teriam um valor relativo e deveriam ser vistos sempre de forma combinada e dependente de outros Estados. Tomando-se em conta esse conjunto, e não apenas fatores como localização e extensão, haveria diferenças capitais entre uma situação central (tal como a da Suíça), periférica (do Brasil), descontínua (do Império Britânico) ou em série (de um povo territorialmente disperso). Após essas formulações iniciais, o termo foi utilizado recorrentemente por Ratzel, ganhando tratamento mais detalhado e complexo em seus escritos. A título de exemplo, veja-se a composição temática de obras seminais como Anthropogeographie v. 1 (1882) e Politische Geographie (1897) (Figuras 2 e 3):

Figura 2. Folha de rosto e página do sumário de Anthropogeographie v. 1 (1882)

Figura 2. Folha de rosto e página do sumário de Anthropogeographie v. 1 (1882)

Fonte: Ratzel (1882)

Figura 3. Folha de rosto e página do sumário de Politische Geographie (1897)

Figura 3. Folha de rosto e página do sumário de Politische Geographie (1897)

Fonte: Ratzel (1897)

5A ampliação é significativa. Na obra mais antiga, o terceiro capítulo trata de situação e espaço (Die Lage e Die Raum), descritos em suas especificidades. Já na obra posterior, toda a quarta parte é dedicada à situação, ao longo de dois capítulos, sendo que o segundo trata justamente da “situação política em sentido estrito”, ou seja, die politische Lage (im eneren sinne). Não seria possível, aqui, explorar os meandros dessa distinção, mas apenas evidenciar que a noção em tela, essencial para Ratzel, sofreu uma inflexão importante na medida em que o foco de seus estudos foi se deslocando de temas mais gerais para as relações entre espaço e política.

  • 4 O esclarecimento desse ponto essencial contou com a prestimosa ajuda de Leonardo Arantes, a quem re (...)

6O presente texto, publicado apenas três anos antes de Politische Geographie, possui enunciados equiparáveis muito mais a essa obra do que à Anthropogeographie. Destaca-se, logo na primeira seção, a importância da situação político-geográfica [politisch-geographische Lage], fundindo denominações que antes figuravam em separado. Tratando-se de um texto curto e contundente, constitui um documento excepcional para se discutir esse conceito-chave de Ratzel, já em sua forma final de elaboração, por parte do autor. . O aspecto mais importante a se reter aqui é a preocupação, desde a Anthopogeographie, em distinguir situação (lage, como já apontado) de posição (stellung, aplicável igualmente a lugar). Através de uma metáfora organicista, Ratzel encontrará uma maneira didática para justificar sua preferência por situação, em detrimento do segundo termo. Deixemos o leitor descobrir por conta própria essa passagem inspirada do texto, para melhor apreciá-la. Que nos seja permitido, ao menos, dizer que o aspecto decisivo nessa escolha é a perspectiva relacional investida na noção de situação. Esta, na verdade, incorpora a posição e lhe adiciona algo mais. Além de características como tamanho e forma de uma região, inclui também “pertencimento” [zugehörigkeit] e uma condição de dependência recíproca entre áreas vizinhas que poderia ser traduzida como interação ou troca [wechselwirkung].4 Por reunir tanto a dimensão interacional referida como o âmbito físico e posicional dos lugares, a situação seria um dos conceitos geográficos mais significativos e completos, no entendimento do autor.

7Seria preciso dizer, contudo, que Ratzel não deixou de apresentar certa ambiguidade quanto aos termos. Ao utilizar, por exemplo, politische stellung para compor a situação (ao lado dos fatores fisiográficos e culturais), o autor parece contribuir para a perpetuação de um ruído na transmissão de suas ideias, por não esclarecer que, nesse caso, deve-se ater somente aos aspectos locacionais do fenômeno político, o que a expressão stellung parece atender. Por outro lado, ao que tudo indica, os leitores de Ratzel não se preocuparam com as sutilezas da questão, ou se apropriaram das ideias do mestre alemão de modo particularizado, segundo seus próprios interesses de pesquisa e conjunto de preocupações. Por essa razão vemos Vidal de la Blache (1889), em seu livro mais ratzeliano, utilizar o termo position para especular sobre a França em relação aos Estados vizinhos. Há um item com essa denominação para a Europa como um todo (position et configuration) e position, isoladamente, consta na introdução de capítulos ou itens referentes a Brandemburgo (circunscrição do Império Alemão), Bélgica, Holanda, Grã-Bretanha, Irlanda, Península Ibérica e Itália. A “Teoria da Posição” figura também no capítulo 5 de uma obra de Camille Vallaux (1911), influente tanto em programas de geografia escolar no Brasil da década de 1930 (Delgado de Carvalho, 1935 [1933]) quanto na formação de oficiais do Estado-Maior do Exército Brasileiro, em período anterior (Trindade, 1912a, 1912b).

  • 5 De modo semelhante, Ratzel considera também a situação dos centros políticos urbanos existentes no (...)

8Foi certamente através desse filtro francês que a proposta original de Ratzel chegou à geografia brasileira, com a consolidação do campo disciplinar em nosso país. Nessa ocasião, vieram à luz trabalhos clássicos que enfatizaram a importância da posição geográfica no desenvolvimento de cidades como São Paulo (Monbeig, 1957 [1941]) e Rio de Janeiro (Bernardes, 1995 [1959]), bem como sua utilidade para orientar a localização da nova capital federal no Planalto Central (Guimarães, 1949 [1947]). Nos textos de Lysia Bernardes e Fábio M. S. Guimarães, entende-se posição como a localização da cidade frente a outras áreas (mesmo distantes), recursos naturais importantes e facilidades de comunicação e intercâmbio econômico – fatores, enfim, pensados para além dos aspectos intrínsecos ao local onde se encontra a cidade, seu sítio.5 Tal concepção não seria tão diferente daquela apresentada por Pierre Monbeig, mas com uma diferença digna de nota: na denominação desse espaço supralocal, o geógrafo francês não faz distinção entre posição e situação. É assim que vemos em seu estudo o termo posição encabeçar um dos três subtítulos estruturantes do texto (antes de evolução e função urbanas), enquanto situação figura como escala de análise complementar do urbano local, ou seja, a “posição geral da cidade em relação a um vasto conjunto regional (...) de que faz parte” (Monbeig, 1957 [1941]: 39). Os dois termos se intercalam ao longo do texto, embora situação seja usada com mais frequência.

9Ideias enunciadas em determinado contexto sofrem em geral modificações conforme o local e o momento em que são apropriadas. Assim, não é condenável que os geógrafos brasileiros ou estrangeiros que aqui trabalharam tenham adaptado a noção ratzeliana de lage a projetos de interiorização da capital ou a estudos sobre o papel das cidades no desenvolvimento regional no Brasil. Contudo, é preciso admitir que algo pode ter se perdido nesse deslocamento, no tocante ao valor heurístico das formulações originais. A publicação do presente texto ajuda a recompor essa possível perda e, quem sabe, especular sobre a atualidade dessas ideias mais que centenárias em um mundo marcado por intensa mobilidade de populações e trocas culturais, em que pesem todos os esforços realizados para controlá-las. O escrito despojado que pode provocar essas reflexões chega a nós da pena de um geógrafo brilhante do final do século XIX e através de uma tradução cuidadosa. Nele encontramos um Ratzel em estado bruto, ousado e provocativo como a natureza do tema lhe facultava e certamente se fará notar. Ao disponibilizar esse texto em Terra Brasilis estamos seguros de oferecer aos leitores uma contribuição valiosa para o conhecimento desse autor indispensável, que não cessa de nos surpreender.

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Bibliografia

Bassin, Mark. Friedrich Ratzel 1844-1904. Geographers: Biobibliographical Studies, v. 11, 1987a, p. 123-132.

Bassin, Mark. Imperialism and the Nation State in Friedrich Ratzel's Political Geography. Progress in Human Geography, v. 11, n. 4, 1987b, p. 473-495.

Bernardes, Lysia. A importância da posição como fator de desenvolvimento do Rio de Janeiro. In: Bernardes, Lysia; Soares, Maria T. de S. Rio de Janeiro: cidade e região. Rio de Janeiro: Secretaria Municipal de Cultura, 1995 [1959], p. 21-35.

Broek, Jan O. M. Iniciação ao Estudo da Geografia. 2. ed. Rio de Janeiro: Zahar, 1972 [1965], p. 28-33.

Carvalho, Marcos B. de. Ratzel: Releituras Contemporâneas. Uma Reabilitação?. Biblio 3W, n. 25, 1997, p. 1-20.

Carvalho, Marcos B. de. Geografia e complexidade. Scripta Nova, n. 34, 1999, p. 1-43.

Delgado de Carvalho, Carlos. Espaço e Posição. In: Delgado de Carvalho, C. Geografia Humana. Política e Econômica. São Paulo: Cia. Editora Nacional, 1935 [1933], pp. 193-198.

Febvre, Lucien. A Terra e a Evolução Humana. In: Godinho, Vitorino Magalhães (ed.) Panorama da Geografia, v. II, livro III. Lisboa: Cosmos, 1954 [1922], p. 41-733.

Fliedner, Dietrich. Anthropogeographie, Paradigmenwechel, Kulturelle Evolution. Geographische Zeitschrift, v. 80, n. 1, 1992, p. 1-19.

Guimarães, Fabio M. S. O Planalto Central e o problema da mudança da capital do Brasil. Revista Brasileira de Geografia, v. 11, n. 4, 1949 [1947], p. 471-542. URL

Lopreno, Dario; Pasteur, Yvan (1994). La péense ratzéienne et la question coloniale (avec la collaboration de Gian Paolo Torricelli). Cahiers de Geographie du Quebec, v. 38, n. 104, 1994, p. 151-164. Disponível em: <https://www.erudit.org/fr/revues/cgq/1994-v38-n104-cgq2676/022429ar/>.

Martins, Luciana. Friedrich Ratzel hoje – a alteridade de uma geografia. Revista Brasileira de Geografia, v. 54, n. 3. Rio de Janeiro: IBGE, 1992, p. 105-113.

Martins, Luciana. Friedrich Ratzel através de um prisma. Dissertação (Mestrado em Geografia). Programa de Pós-Graduação em Geografia, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1993.

Martins, Luciana. Friedrich Ratzel. GEOgraphia, v. 3, n. 5, 2001, p. 115-117.

Mercier, Guy. La théorie géographique de la propriété et l'héritage ratzélien. Cahiers du Geographie du Quebec, v.36, n. 98, 1992, p. 235-50.

Mercier, Guy. La région et l'État selon Friedrich Ratzel et Paul Vidal de la Blache. Annales de Geographie, v. 104, n. 583, 1995, p. 211-235.

Monbeig, Pierre. O estudo geográfico das cidades. In: Monbeig, Pierre. Novos Estudos de Geografia Humana Brasileira. São Paulo: Difusão Europeia do Livro, 1957 [1941], p. 33-77.

Moraes, Antonio Carlos Robert (org.). Ratzel. Grandes Cientistas Sociais n. 59. São Paulo: Ática, 1990a.

Moraes, Antonio Carlos Robert. A antropogeografia de Ratzel: indicações. In: Moraes, Moraes, Antonio Carlos Robert (org.) (1990a). Ratzel. Grandes Cientistas Sociais n. 59. São Paulo: Ática, 1990b, p. 7-27.

Quaini, Massimo. A Construção da Geografia Humana. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1983 [1975].

Raffestin, Claude. Por uma Geografia do Poder. São Pulo: Ática, 1993 [1980].

Ratzel, Friedrich. Amigos, o sublime não mora no espaço. GEOgraphia, v. 3, n. 5, 2001 [1902], p. 119-122. Tradução: Luciana de Lima Martins.

Sanguin, André L. En relisant Ratzel. Annales de Geographie, n. 555, 1990, p. 579-94.

Sauer, Carl. Geografia Cultural. In: Corrêa, R. L. e Rosendhal, Z. (orgs.). Geografia Cultural: um século (1). Rio de Janeiro: EdUERJ, 2000 [1931], p. 99-110.

Sodré, Nelson W. Introdução à Geografia (Geografia e Ideologia). Petrópolis: Vozes, 1976.

Tezuka, Akira. Ratzel's Anthropogeographie and the Japanese geography of pre-war period. Tsukuba Studies in Human Geography, n. 19, 1995, p. 135-149.

Trindade, Eduardo. Estudo sobre Fronteiras (lições de geografia militar na Escola do Estado Maior). Boletim Militar do Estado Maior do Exército, v. III, n. 3, 1912a, p. 281-287.

Trindade, Eduardo. Estudo sobre Fronteiras. Boletim Militar do Estado Maior do Exército, v. III, n. 6, 1912b, p. 616-622.

Vallaux, Camille. Géographie sociale. Le sol et l’État. Paris : Doin, 1911.

Vallega, Adalberto. Esistenza e ambiente : nuovi scacchieri per il pensiero geografico. Bolletino della Società Geografica Italiana, v. 6, n.10-12, 1989, p. 523-544.

Vidal de la Blache, Paul. Etats et nations de l’Europe autour de la France. Paris: Delagrave, 1889.

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Notas

1 Kleine Schriften von Friedrich Ratzel (Pequenos Escritos de Friedrich Ratzel), obra organizada por Hans Helmolt em 1906. Em dois volumes, a obra compila mais de 80 artigos publicados por Ratzel em diversos periódicos entre 1867 e 1904.

2 Vale um gesto de louvor aos editores de GEOgraphia, em especial a Rogério Haesbaert, responsável pelas seções Nossos Clássicos e Conceitos Fundamentais da Geografia, pelo excelente serviço prestado à história da geografia e à comunidade geográfica em geral.

3 GEOUSP Espaço e Tempo (v. 15, n. 1, 2011, pp. 51-58) publicou a tradução de Matheus Pfrimer de uma parte da Politische Geographie, de Ratzel, a partir da edição francesa de 1987. O texto intitula-se “A relação entre o solo e o Estado - Capítulo I. O Estado como organismo ligado ao solo”.

4 O esclarecimento desse ponto essencial contou com a prestimosa ajuda de Leonardo Arantes, a quem registramos um sincero agradecimento pela generosidade em atender nossas solicitações. O colega ajudou também a identificar e traduzir diversas expressões de Anthropogeographie e Politsche Geographie que constam nessa introdução.

5 De modo semelhante, Ratzel considera também a situação dos centros políticos urbanos existentes no interior de um Estado (Vallaux, 1911), embora não no texto traduzido. Sua análise, contudo, não incide tanto sobre a oposição entre sítio e situação (ou posição), marca da geografia urbana de inspiração francesa.

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Índice das ilustrações

Título Figura 1. Relação de textos do Ratzel traduzidos diretamente do alemão (2011-2019)
Legenda Elaboração própria
URL http://journals.openedition.org/terrabrasilis/docannexe/image/9284/img-1.png
Ficheiros image/png, 139k
Título Figura 2. Folha de rosto e página do sumário de Anthropogeographie v. 1 (1882)
Créditos Fonte: Ratzel (1882)
URL http://journals.openedition.org/terrabrasilis/docannexe/image/9284/img-2.png
Ficheiros image/png, 1,9M
Título Figura 3. Folha de rosto e página do sumário de Politische Geographie (1897)
Créditos Fonte: Ratzel (1897)
URL http://journals.openedition.org/terrabrasilis/docannexe/image/9284/img-3.png
Ficheiros image/png, 1,4M
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Para citar este artigo

Referência eletrónica

Sergio Nunes Pereira, «Sobre a Situação Geográfica de Ratzel: breve nota»Terra Brasilis [Online], 15 | 2021, posto online no dia 31 julho 2021, consultado o 12 setembro 2026. URL: http://journals.openedition.org/terrabrasilis/9284; DOI: https://doi.org/10.4000/terrabrasilis.9284

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Autor

Sergio Nunes Pereira

Professor do Departamento de Geografia

 

da Universidade Federal Fluminense (UFF). Editor da Terra Brasilis.

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